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| Mouse | Visit Films |
Mouse parece ao momento ser um coming-of-age comum ao início. O filme parece que seguirá uma linha muito tenuê, que muitos filmes tem seguidos nos últimos anos: universo estabilizado<tragédia<volta da estrutura de maneira parcial. Entretanto, o filme trata de descontruir essa ideia logo nos primeiros minutos, quando a tragédia é apresentada de maneira tão abrupta quanto seria na vida real.
Entretanto, ao encarar os efeitos na tragédia, Mouse não faz como a maioria dos filmes coming-of-age. A obra da dupla Alex Thompson e Kelly O'Sullivan (que realizou um outro filme o qual não assisti) decide encarar as emoções de seus personagens no face a face.
A tragédia, que no filme se trata da morte da personagem Callie (Chloe Coleman), a melhor amiga de Minnie (Katherin Mallen Kupferer). Algo que, apesar de ser crucial para o filme, é necessário de ser relatado para a continuidade do texto.
Ao filmarem o luto da protagonista do filme, a Minnie, a dupla de diretores tem uma decisão ousada. Ao invés de filmarem tudo como sendo pura tristeza, a dupla enfatiza a reação clara de ironia da protagonista diante do ambiente, ao invés de reforçar o quanto ele é opressor para sua vivência dessa fase. Entretanto, a dupla também enfoca que todos ali, de certa forma estão vivendo um luto.
Cara (Audrey Grace Marshall), personagem que sabemos que é uma pessoa ruim, pelo que é apresentado durante a trama, não é filmada pela dupla como alguém opressiva durante o luto, mas como uma pessoa que, como todas lá, está vivendo um luto. O filme faz questão de enfatizar que ela é uma pessoa ruim, porém, ela não é filmada como uma pessoa ruim quando está sofrendo o luto, pois neste momento, o filme abandonada todo e qualquer juízo de valor.
Ao filmar a realidade, Mouse não faz um juízo de valor claro, apesar de manter suas posições. Até porquê, o filme não se isenta nunca no debate, existem sim pessoas ruins, porém não existe uma maneira de se viver o luto de maneira certa ou errada, todos o vivem.
Talvez isso seja o que mais transparece pela relação extremamente próxima de Minnie com Helen (Sophie Okonedo), a mãe de Callie que passa por um divórcio logo depois da morte da filha. A relação das duas tem estágios muito interessantes: o primeiro é de entendimento mútuo e tentativa de suporte, o segundo é o de desentendimento das fases, e o terceiro e mais crucial é o do entendimento e do afastamento. Helen entende que para Minnie é melhor as duas longes, e isso está bom, pois, na realidade, tudo deve ser respeitado quando se está vivendo o luto.
Mouse é uma obra que não é sobre o luto em si, e sim as diferentes formas de se filmar o luto (ou a inexistência da possibilidade de filmar o luto coletivo, pois nenhuma hora a câmera do filme acompanha as fases do luto dos personagens, e constrói a visão do espectador quase de como um outsider) e de se viver o luto, que é uma fase da vida tão importante quanto a juventude que o filme parece que irá retratar.
Pois todos nós enterraremos nossos pais, alguns de nós já enterraram os avós, e tragicamente alguns enterrarão seus filhos, mas é a vida, e a vida é o cinema.
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