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| Toy Story | Disney |
Autor:
Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.
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| Toy Story | Disney |
Autor:
Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.
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| Mestres do Universo | Amazon MGM Studios |
Em Mestres do Universo, o príncipe Adam deve salvar o reino de Etérnia de uma ameaça mortal: as artimanhas do vilão Esqueleto e seu exército malévolo. Para conseguir proteger todos aqueles que ama, o jovem herdeiro do trono deve recuperar uma espada mítica e se tornar finalmente o guerreiro conhecido como He-Man.
Além do conflito entre heróis e vilões, a narrativa explora a transformação de Adam de jovem príncipe em um guerreiro capaz de carregar a responsabilidade de salvar seu reino. A história utiliza a jornada de retorno de Adam para explorar temas como identidade, pertencimento e amadurecimento. Após passar grande parte da vida na Terra, o protagonista precisa reconciliar duas origens distintas e assumir responsabilidades que antes desconhecia. A narrativa também trabalha a ideia de legado familiar e do dever de proteger uma comunidade ameaçada pela tirania. Contribuindo para dar maior profundidade ao crescimento do personagem. Embora esses temas não sejam inéditos no gênero de fantasia, eles são desenvolvidos de maneira eficiente, tornando a trajetória de Adam mais envolvente e significativa para o público.
Ao viver durante 15 anos na Terra, Adam enfrenta um constante conflito de identidade. Embora carregue as lembranças de Etérnia, ele cresce em um mundo ao qual sente não pertencer completamente. Os desenhos que ele produz funcionam como uma ponte emocional com esse passado, permitindo que ele reviva, ainda que de forma fragmentada, os vínculos afetivos e a identidade que acredita ter perdido. Mais do que simples nostalgia, sua saudade se torna um elemento estruturante de sua personalidade, influenciando suas escolhas e alimentando a esperança constante de reencontro com seu verdadeiro lar. Essa construção reforça a profundidade emocional do personagem, ainda que siga um arquétipo comum de heróis divididos entre dois mundos.
A trilha sonora acrescenta um forte sentimento de nostalgia, remetendo à estética marcante dos anos 1980. Isso fica evidente na música tema de Eternia, lar do protagonista e principal cenário da narrativa. Trata-se de uma composição grandiosa, concebida para transmitir a imponência e o caráter desse reino lendário, o que se mostra bastante eficaz ao longo da obra. O compositor Daniel Pemberton combina uma poderosa orquestra sinfônica com coros expansivos, criando uma atmosfera constante de grandeza e magnificência. Ao mesmo tempo, a obra incorpora sintetizadores de sonoridade retrô e guitarras elétricas expressivas, estabelecendo uma ponte entre a fantasia épica e o rock característico da década de 1980. Em termos emocionais, a música desperta um profundo senso de admiração diante de um mundo vasto e repleto de lendas. Desde os primeiros acordes, ela sugere a beleza, a riqueza cultural e a imponência de uma civilização fantástica, enquanto faz emergir gradualmente um sentimento de heroísmo, como se o espectador acompanhasse a jornada de um campeão destinado a enfrentar desafios extraordinários.
Mestres do Universo constrói uma narrativa que vai além do confronto clássico entre bem e mal, ao investir no desenvolvimento interno de seu protagonista. A jornada de Adam não se limita à conquista de poder, mas envolve a aceitação de sua identidade e de seu papel em um mundo que depende dele. Esse amadurecimento, aliado ao conflito entre suas duas origens, confere maior densidade emocional à história e aproxima o público de suas motivações. Assim, a obra consegue articular temas tradicionais de fantasia com uma abordagem envolvente, tornando o caminho de He-Man não apenas uma aventura heroica, mas também um percurso significativo de autodescoberta e responsabilidade.
Autor:
Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.
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Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.
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| Backrooms: Um Não-Lugar (2026) | Imagem Filmes |
O conceito de espaços liminares se tornou uma estética bastante recorrente na internet, influenciando o gênero de suspense e horror, com histórias envolvendo creepypastas e lendas urbanas: um espaço amplo, vazio, muitas vezes abandonado, quase familiar dentro de uma memória coletiva, uma nostalgia por uma época relativamente próxima, mas não vivida; porém desorientador, silencioso, manipuladora das percepções humanas, e lar para o desconhecido... Um medo (talvez ou não) irracional do vazio.
Quando o jovem Kane Parsons lançou um found footage no YouTube chamado The Backrooms (2022), o vídeo se tornou uma fenômeno cultural com mais 70 milhões visualizações na plataforma. Com o sucesso do primeiro vídeo, Parsons continuou a explorar esse universo em outros vídeos, disponíveis em seu canal, chamando a atenção dos estúdios e produtoras de cinema estadunidenses. Porém, a bolha cinéfila foi pega de surpresa quando, pouco tempo depois, a A24 anunciou que estava desenvolvendo um filme baseado no universo de Backrooms, dirigido por Parsons (na época, com cerca de 18 anos; agora com 21!), com produção de nomes como Shawn Levy, James Wan e Osgood Perkins, e estrelado por dois atores de peso: Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve. De certo, sejam os céticos e/ou os curiosos, todos começaram a ficar curiosos para ver o resultado final.
A ação se passa nos anos 90, Mary (Reinsve) é uma psicóloga que ainda carrega traumas do passado, ligados à sua casa de infância, enquanto que seu paciente Clark (Ejiofor) é um arquiteto frustrado que nunca conseguiu seguir seus sonhos que trabalha em uma loja de móveis falida. Após uma série de incidentes, Clark descobre uma passagem secreta que dá para um labirinto infinito de salas, reproduzindo uma realidade distorcida do mundo real. Após seu paciente ficar cada vez mais envolvido com esse microcosmo, Mary vai atrás dele e adentra nesse universo.
Backrooms: Um Não-Lugar (2026) é um filme que se destaca pelo visual, a justaposição entre o mundo real com uma variedade de cores e tons e o labirinto minimalista com tons amarelados de sinestesia nauseante, e pelo sensorial, o folley e a edição de som são importantes para imersão do expectador. Parsons, que estreia na direção, parece estar confiante com o universo, no qual desenvolveu durante anos, e acredito que se beneficiou da experiência ao máximo. Não posso ainda dizer se ele é ou não um bom diretor, pois ainda é muito cedo para fazer tal declaração direta, e talvez reducionista; mas parece segurar bem a onda aqui. Seu trabalho, embora estamos falando de uma nova IP com chances (caso fizer sucesso nas bilheterias mundiais) de se tornar um carro chefe de uma nova franquia para um estúdio norte-americano, transborda um certo carinho e atenção aos detalhes estéticos e jogo de linguagens cinematográficas em uso. Em suma, é uma direção segura no que pretende.
Visual e esteticamente falando, o filme se garante; porém talvez seu ponto fraco esteja no roteiro da obra, que utiliza das caraterísticas conceituais do universo como parte de uma metáfora situacional para suas personagens, mas nem sempre consegue desenvolver seus temas de forma orgânica, principalmente no terceiro ato, quando o filme começa a flertar com o onírico, enquanto tenta enquadrar com uma subplot que envolve uma teoria da conspiração. O texto não é ruim, mas talvez a relação entre o inconsciente das personagens com a genealogia do backrooms pode ser, ao mesmo tempo, algo fascinante ou um pouco básico (afinal, estamos falando de um filme da A24), dependendo do espectador. Este crítico, tende para o primeiro lado; pois é o ponto em que se sustenta parte do horror do filme: o da percepção da mente humana em situações austeras e da ressignificação dos pesadelos. Quando o filme afunda dentro da própria loucura, ele acaba se tornando mais envolvente com o desenrolar das ações.
Para além da direção confiante de Parsons, o que ajuda elevar uma narrativa fragilizada é o combo de atuações de Ejiofor e Reinsve, que, com todos seus talentos em cena, elevam a dinâmica entre as personagens e parte do desenvolvimento pessoal de cada uma. Se suas características parecem bastante unidimensionais no papel, em cena, com estes intérpretes, a ideia ganha matéria e, portanto, suas crises parecem, ao público, reais. E diante do improvável, lentamente, o chão afunda e a realidade começa a se dissipar. Há uma cena bastante interessante que acontece no primeiro ato e acaba reaparecendo no terceiro, em uma mise en scène que me lembrou um pouco com o clímax de Massacre da Serra Elétrica de Tobe Hooper (1974): uma conversa entre a duas personagens, o texto é quase idêntico, porém o ambiente e a situação mudam o tom dessa interação espelhada. O irreal e real acabam, então, por se confundir e criar um entremeio. Se não fosse pelo trabalho dos atores, talvez o resultado poderia ser didático ou superficial demais, para um espectador com olhos já treinados para filmes de terror com um ângulo dramático acentuado.
Como um filme de estreia, Backrooms (2026) é uma obra eficiente que se debruça a explicar e explorar sua própria mitologia para seu público. Quem for fã da estética, ou do gênero, ou quem tiver uma mente mais aberta para ideias inusitadas, pode aproveitar mais o filme do que o espectador mais cético.
Eduardo Cardoso é natural do Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa. Cardoso é graduado em Letras pela Universidade Federal Fluminense e mestre em Estudos de Linguagem na mesma instituição, ao investigar a relação entre a tragédia clássica com a filmografia de Yorgos Lanthimos. Também é escritor, tradutor e realizador queer. Durante a pandemia, trabalhou no projeto pessoal de tradução poética intitulado "Traduzindo Poesia Vozes Queer", com divulgação nas minhas redes sociais. E dirigiu, em 2025, seu primeiro curta-metragem, intitulado "atopos". Além disso, é viciado no letterboxd.
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Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.
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| Hamnet | Universal Pictures |
Uma obra, para comover efetivamente o público, precisa trabalhar a sensibilidade e a empatia desde o roteiro até o olhar dos espectadores. E essa não é uma tarefa tão simples quanto parece.
Chloe Zhao, ao dirigir Hamnet, explora a dualidade entre o amor e o luto sob diferentes perspectivas ao longo do filme. A narrativa acompanha Agnes (Jessie Buckley), uma mulher modesta criada em um ambiente quase místico, profundamente conectada à natureza. O encontro entre Agnes e William (Paul Mescal) desperta uma nova faísca na vida da mulher de espírito livre, desenvolvendo rapidamente um romance intenso.
O filme oferece ao público um olhar materno sobre a dor agonizante de perder um filho tragicamente. William e Agnes vivenciam fragmentações causadas pelas diferentes formas de lidar com o luto; Will se fecha para a poesia e o teatro, enquanto Agnes sente a perda intensamente em seu corpo, alma e na própria conexão com a natureza.
Sob uma nova ótica, Zhao oferece maior visibilidade à esposa de William Shakespeare, figura historicamente ignorada, colocando Agnes no centro da narrativa como protagonista. Devastada, Agnes busca motivações para resistir à tamanha perda sozinha logo após presenciar os últimos suspiros de seu filho, levado pela peste bubônica. A dor da personagem não se limita apenas ao sofrimento psicológico; a diretora conduz o luto como uma experiência física, silenciosa e contemplativa. Cada espaço vazio, o contato com a natureza e os olhares sem rumo algum reforçam a sensação de ausência constante que consome Agnes lentamente.
Jessie Buckley entrega uma atuação sensível e dolorosamente humana, transmitindo emoções profundas mesmo nos momentos de completo silêncio. A atriz carrega consigo o peso da maternidade interrompida através de expressões sutis, tornando tangível a devastação interna da personagem. Paul Mescal, por outro lado, oferece um William contido emocionalmente, utilizando a distância como mecanismo para sobreviver ao próprio sofrimento.
Visualmente, Hamnet encontra beleza até mesmo em sua melancolia. Zhao utiliza a fotografia de maneira quase etérea, aproximando os elementos naturais para o estado emocional de Agnes. O vento, a terra, os campos e a água deixam de funcionar apenas como ambientação e passam a representar extensões do vazio e da memória.
Ao retirar William Shakespeare do centro da narrativa e conceder protagonismo à mulher historicamente apagada ao seu redor, o filme humaniza uma figura frequentemente reduzida à condição de “esposa do poeta”. Agnes deixa de existir apenas como suporte para a genialidade masculina e passa a ocupar o espaço de alguém atravessada pela dor, pelo amor e pela própria identidade.
Hamnet não busca manipular o espectador através de exageros dramáticos. Sua comoção nasce justamente da delicadeza com que entende o luto: silencioso, solitário e eterno. Chloe Zhao transforma a perda em algo quase íntimo para quem assiste, fazendo do vazio deixado pela morte a presença mais forte em cena.
Autor:
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| Mortal Kombat 2 | Warner Bros. Pictures |
Autor:
Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.
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