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| Segredos Obscuros | Paris Filmes |
Determinadas
pautas atuais chegaram com força até o audiovisual. A busca pela longevidade da
juventude pode ser descrita de diversas formas, desde as mais cômicas às mais
sombrias. No Brasil, vimos uma trama parecida com a descrita na novela Beleza
Fatal (2025), grande sucesso da HBO Max. Já em Hollywood, a principal
expoente recentemente possui o título de A Substância (Coralie Fargeat,
2024). É nesta última que o lançamento do diretor Max Minghella é, pelo que
parece, inspirado. Segredo Obscuro (2024) torna-se mais uma obra que
centraliza a aparência e a idade como parâmetros sociais rígidos.
Samantha
(Elizabeth Moss) é uma atriz em decadência. Enquanto o tempo passa, sua carreira
se mostra mais datada; culpa da falta de renovação e do padrão estético não
convencional da personagem. Um belo dia, Sam conhece a Shell, uma empresa que
promete vitalidade eterna por meio de um tratamento. Embora relutante, as
inseguranças da protagonista a fazem se submeter aos procedimentos da
“clínica”, na qual a CEO, Zoe Shannon, é a glamorosa porta-voz. Ambas formam
uma amizade, mas segredos perigosos estão por trás da relação e de toda
perfeição exibida por Zoe e seu negócio.
Logo no
primeiro momento, nos deparamos com uma insatisfação já utilizada em outros
longas-metragens: trajetórias no mundo artístico que se declinam por conta da
superficialidade geral. O assunto é revelado através de Sam que, como muitas,
não se encontra no molde estadunidense de hoje. Entretanto, é inexistente a
diferença de como é mostrado tal preocupação, em uma demonstração expositiva,
sem rodeios e sem chances de muita conexão com a personagem principal. O filme
em si é visto como mais um em que a protagonista procura seu espaço, cede aos
encantos de uma solução duvidosa, e encara consequências por conta disto.
A Substância
é visivelmente uma comparação
inevitável a Segredo Obscuro, que escolhe até o mesmo caminho do
suspense e do body horror para ser conduzido. Porém, neste os recursos
estilísticos e narrativos chamam atenção pela maior pobreza e perda de
identidade. Tudo aqui já foi visto antes, além de nada ser um grande mistério.
O filme traça um caminho já esperado desde o começo, não alcançando sua
intenção de ser chocante ou tenso. O próprio terror, que demora a ser
percebido, possui manejos que não dão certo em seu conjunto.
O ritmo
volúvel, a trilha sonora notadamente deslocada (mais parecida com a de um filme
de ação, não suspense) e até as boas intenções do diretor de criar um universo
com itens retrô e futuristas concomitantemente, são falhas que descaracterizam
o longa-metragem; sem identidade, até as mais aterrorizantes descobertas de Sam
são deficientes de emoção e estilo próprio, ainda que tente.
Entretanto,
o filme é carregado por duas boas interpretações. Elizabeth Moss retrata bem
uma artista desesperada e ingênua, ainda com a esperança de reaver seus tempos
dourados. Sua intimidade posterior com a excêntrica e, ao mesmo tempo,
amigável, Zoe, feita de forma não caricatural por Kate Hudson, é a maior
qualidade da obra, tendo isto como ponto central para que o espectador não
desista da trama.
Segredo
Obscuro não é trash,
não é terror, não é gore e nem é um suspense que consiga prender a atenção do
público. Ainda que suas empreitadas para ser tudo isso existam, a produção
pouco se solidifica como um destes gêneros. Ademais, o enredo batido, ao passo
que é relevante e merece ser discutido a finco, deixa rastros que não criarão
memórias nem resquícios. A dupla de atrizes que comanda o filme é boa, mas não
suficiente para atingir a proposta requerida: assustar e fazer pensar. Talvez
em uma próxima chance o cinema novamente seja palco para histórias que permeiam
a estética, o envelhecimento e o julgamento da sociedade.
Autora:
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| Lais Lima |
25 anos, formada em cinema, roteirista, crítica, videomaker e moradora do Rio de Janeiro, minha paixão pelo cinema transcende as telas.
De “Guarda-Chuvas do Amor” até “Laranja Mecânica”, meu amor pela arte não se prende a nenhum gênero, mas sim ao que me toca.
Também sou apaixonada pelos pormenores da vida, que se apresentam sem nenhum roteiro.
Logo, imaginação não falta em mim.
Sou de tudo um pouco, e procuro sempre expor minha versão mais democrática, que enfrenta a realidade com a maior criatividade possível.