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| Honestino | Pandora Filmes |
Honestino (2026), dirigido por Aurélio Michiles, resgata a trajetória de Honestino Guimarães, ex-presidente da UNE e um dos principais líderes do movimento estudantil brasileiro durante a ditadura militar, estudante da UnB e importante voz da geração de 1968, preso cinco vezes e sequestrado em 1973 aos 26 anos. Ao apresentar sua trajetória política e pessoal, o filme busca humanizar uma figura frequentemente lembrada apenas pelos acontecimentos que marcaram seu desaparecimento, evidenciando seus ideais, conflitos e relações ao longo desse período turbulento da história do Brasil.
A direção de Aurélio Michiles demonstra sensibilidade ao equilibrar momentos de forte carga dramática com uma narrativa de ritmo constante, evitando transformar a obra em uma sucessão de acontecimentos históricos. O diretor aposta em uma linguagem intimista, permitindo que os personagens conduzam a narrativa por meio de seus depoimentos enquanto os cortes gravados por atores ilustram os momentos citados. A montagem, principalmente, favorece o desenvolvimento da narrativa ao organizar os acontecimentos de forma clara, permitindo que o espectador acompanhe a evolução política de Honestino sem comprometer o entendimento da cronologia, já a trilha sonora é utilizada de maneira mais pontual, reforçando a tensão dos momentos mais dramáticos sem competir com as emoções transmitidas pelos personagens.
Bruno Gagliasso assume a responsabilidade de interpretar Honestino Guimarães de maneira contida e respeitosa, sua atuação transmite convicção nos momentos de maior tensão política, ao mesmo tempo em que evidencia a humanidade de Honestino por meio de pequenos gestos e expressões, tornando mais palpáveis seus medos, convicções e sacrifícios. A escolha de intercalar essas cenas dramatizadas com registros de arquivo, cartas, poemas e depoimentos de figuras que conviveram ou estudaram o período reforça a autenticidade da narrativa. Em vez de competir com o material documental, a interpretação de Gagliasso funciona como um elo entre a ficção e a memória histórica, contribuindo para aproximar o espectador de uma figura conhecida nos livros de História.
Entretanto, o ritmo mais contemplativo pode causar a sensação de lentidão para parte do público e possivelmente anticlimático, especialmente nos trechos em que o longa dedica mais tempo às discussões políticas do que aos conflitos do protagonista. Ainda assim, essas escolhas não comprometem a proposta da obra, que permanece coerente com sua intenção de preservar a memória de Honestino Guimarães e do período retratado.
Honestino (2026) se destaca pela qualidade de sua reconstrução histórica e pelo cuidado técnico empregado em todos os aspectos da produção. Mesmo apresentando um ritmo mais contido, o longa cumpre seu papel ao provocar reflexão sobre um período marcante da história brasileira e reafirmar a importância da preservação da memória e da democracia.


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