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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O Fim da Rua - Os dinossauros estão à solta!

 O Fim da Rua | WarnerBros. Pictures 


Em O Fim da Rua acompanhamos uma família que possui uma reviravolta em sua vida após um evento cósmico arrancar seu bairro do subúrbio e o transportar para a era dos dinossauros. A produção da Warner Bros., resgata com bastante eficiência a essência das aventuras de ficção científica e terror dos anos 80, a trilha sonora caricata e a fotografia são alguns dos principais responsáveis por essa atmosfera, trabalhando juntas para compor as cenas e estabelecer uma identidade visual própria. Existe uma preocupação evidente em fazer o espectador sentir que está diante de uma aventura de outra época, mas com recursos contemporâneos, o que contribui para tornar o filme leve, divertido e extremamente acessível.

Entre os maiores méritos do longa está justamente sua relação com o cinema de dinossauros que consegue recuperar aquela sensação de descoberta, perigo e diversão que marcou Jurassic Park, tornando-se uma das experiências mais divertidas do gênero nos últimos anos. O filme entende que os dinossauros não precisam estar presentes apenas como ameaças, mas também como parte fundamental do espetáculo, utilizando as criaturas para criar momentos de tensão, surpresa e entretenimento. Essa combinação faz com que o longa seja capaz de despertar aquela sensação de aventura que muitas produções modernas acabam deixando de lado.

A direção demonstra bastante controle sobre os acontecimentos, construindo sequências bem planejadas e executadas sem transformar a ação em uma sucessão confusa de cortes. A movimentação da câmera, os enquadramentos e a utilização dos dinossauros dentro dos cenários ajudam a criar uma sensação de escala e perigo, fazendo com que o espectador se sinta inserido naquele ambiente. Essa escolha é especialmente importante para uma produção que depende tanto do espetáculo visual, já que a ação não funciona apenas como uma pausa entre os momentos narrativos, mas como parte essencial da experiência.

Anne Hathaway e Ewan McGregor também entregam atuações que elevam consideravelmente a imersão da produção, ambos conseguem transmitir com naturalidade as diferentes emoções exigidas pela narrativa, alternando entre momentos de humor, tensão, medo e vulnerabilidade sem deixar que seus personagens pareçam deslocados dentro de uma aventura tão grandiosa. Existe uma química entre os dois que ajuda a sustentar os momentos mais pessoais da história e faz com que o público se importe com aquilo que está acontecendo além dos próprios dinossauros.

Porém, o longa encontra seu principal problema justamente quando começa a se encaminhar para a conclusão. Do meio para o final, algumas das questões apresentadas ao longo da história parecem ser solucionadas rápido demais, fazendo com que o encerramento transmita uma sensação de corte seco. Quando os créditos começam a aparecer, fica aquela sensação inevitável de: “Já acabou? É isso?”. O problema não está necessariamente na resolução em si, mas na velocidade com que ela acontece, dando a impressão de que faltou um pouco mais de desenvolvimento para que o desfecho tivesse o mesmo impacto construído durante o restante da produção.

O Fim da Rua (2026) é, acima de tudo, um filme extremamente divertido e uma das melhores experiências com dinossauros desde Jurassic Park. Embora seu terceiro ato acelere demais e deixe uma sensação de encerramento abrupto, o conjunto ainda funciona muito bem como entretenimento. É um daqueles filmes que conseguem fazer o público simplesmente sentar, assistir e se divertir, recuperando uma sensação de aventura que o cinema contemporâneo nem sempre consegue reproduzir.

Autora:
Me chamo Mariana Alves, tenho 22 anos, atualmente estudante de Publicidade e Propaganda porém formada em Design Gráfico e Técnico em Alimentos, já atuo no mercado como Marketing. Sou apaixonada por filmes e videogames, adoro ir ao cinema e falar sobre The Last of Us.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Vestidos Lindos e Intrigas Ainda Estão em Moda em O Diabo Veste Prada 2 (2026)

 

O Diabo Veste Prada 2 (2026) | 20th Century Studios


Após vinte anos, o diabo ainda veste prada? 

Durante um desastre editorial da Runway, a poderosa editora da moda Miranda Priestly (Meryl Streep) é obrigada a se reunir com Andrea/Andy Sachs (Anne Hathaway) para salvar a reputação da revista e assim como de suas carreiras.  Lançado em 2006, O Diabo Veste Prada foi um filme secular dentro da esfera das comédias dramáticas/românticas estadunidenses nos meados dos anos 2000; tornando-se um marco do gênero e conquistando uma quantidade considerável de fãs que perdura até hoje. 

Baseado no livro homônimo de Lauren Weisberger, o longa original se debruçava nos bastidores do mundo da moda através da personagem de Hathaway que é vista e tratada como uma outsider, uma presa perfeita para a antagonista de Streep, que por sua vez tem inspirações com a (agora) ex-editora chefe de Vogue US, Anna Wintour. Apesar de Sachs passar por uma série de provações quase sadomasochistas e, eventualmente, subir no conceito de Priestly, a mocinha desiste da carreira na Runway para seguir com no jornalismo. 

Como, então, realizar um filme tão amado e querido por tantas pessoas que cresceram com ele? Chamar a mesma equipe criativa do primeiro filme: o diretor (David Frankel), roteirista (Aline Brosh McKenna), produtora (Wendy Finerman), diretor de fotografia (Florian Balhaus), elenco e por aí vai... Dando assim uma continuidade artística que mantém parte de sua identidade visual anterior e um desenvolvimento de personagens muito contundente para aquele universo. No entanto, o roteiro periga pelo limiar entre uma sequencia direta e uma legacy sequel, já que na sua primeira metade, vemos que as situações arquitetadas são novas, mas nem tanto. Por mais que Andy seja uma jornalista premiada, ela ainda é tratada na Runway como se fosse a mesma de vinte anos atrás; e há também vários frames que fazem a alusão com o filme anterior como um paralelismo iconográfico do que algo de importante para a narrativa. A partir da segunda metade, o roteiro flui bem melhor, a trama fica mais interessante e o filme começa a ter mais independência de seu antecessor.

O aspecto temático mais interessante do primeiro filme, para mim, não necessariamente era a questão se Miranda era uma chefe abusiva por questões pessoais, se Andy tinha um péssimo namorado e um círculo de amigos não muito legais (por mais também que sejam pontos contundentes e temas de debates até hoje), mas era a sutil intersecção entre o mundo da moda e do capitalismo: os bastidores da indústria, as máquina institucionais do poder interno e o papel da moda em ditar aquilo que deve ser consumido e quem devem consumir. Aqui, a abordagem é unicamente direcionada ao sufocamento do jornalismo por influências de grandes conglomerados midiáticos: Andy começa a trama recebendo um prêmio e uma demissão em massa; enquanto que Miranda tenta impedir que o novo dono do conglomerado (BJ Novak) venda a Runway para um milionário. É uma mensagem direta ao estado atual do jornalismo em um filme envolto dentro uma fantasia confortável e divertida, mesmo que a abordagem seja, ainda, muito idealista e pouco desenvolvida. 

No final, o filme mescla sua crítica real a um certo ideal pós-moderno do sonho americano e o recicla em uma linda embalagem, daquelas que dá até pena de rasgar para abrir o produto: todo mundo precisa terminar bem. Essa abordagem inclusive, vem das screwball comedies dos anos 30 e 40 e, quase um século mais tarde, ainda é um recurso que é utilizado para um filme dito 'contemporâneo'; o que tem suas vantagens (sua agilidade e leveza na condução e desenvolvimento dos eventos) e desvantagens (o apego sentimental capitalista por meio do trabalho e do sucesso no mundo corporativo), é claro. Uma fantasia escapista em pleno século XXI.

Além disso, o retorno de Emily Blunt como Emily e Stanley Tucci como Nigel é mais do que bem-vindo, mas essencial e seus personagens tem mais importância nesta nova parte; principalmente a de Blunt, já que Emily é agora trabalha como chefe de departamento na Dior e tem recursos financeiros para pôr Miranda, e portanto a Runway, na palma de suas mãos e fará e tudo para conseguir o que deseja. 

Se o roteiro é um pouco irregular (até mesmo para atender por uma mensagem mais popular), a escrita das personagens e o trabalho do elenco principal conseguem cativar e prender a atenção dos espectadores, antigos e novos; e assistir estes velhos personagens ganhando novas facetas e desdobramentos que pareça natural, dado o contexto do filme, é um dos seus maiores méritos. Outro ponto positivo, se tratando de um filme sobre a indústria da moda, é, claro, o figurino lindíssimo de alta costura que é apresentado em tela (neste caso, posso dizer "gowns, beautiful gowns" de forma não irônica). Quem assina a produção de figurino é Molly Rogers que colaborou no longa anterior com Patricia Field, que é uma lenda no departamento de figurinos em Hollywood. E como pode ser visto, parece que foi suado para conseguir reunir todas as peças utilizadas no filme (inclusive várias personalidades no mundo da moda como Donatella Versace e Marc Jacobs, e etc. aparecem em pontas ao longo do projeto).

O Diabo Veste Prada 2 (2026) não apresenta muitas inovações narrativas em relação ao anterior e, com certeza, não deve converter quem não gostou da primeira parte para esta nova; porém, para aqueles que cresceram ou que são apaixonados pelo filme de 2006, este novo abraça o espectador para dentro de sua idiossincrasia fantástica, milimetricamente concebida nos pequenos detalhes: um mundo luxuoso e cheio de perigos institucionais e morais. É um reencontro de titãs, por mais que dessacralizados, mas que ainda mantém uma ou outra qualidade. Um filme feito para ficar feliz no simples, daqueles que a máquina hollywoodiana sabia fazer há uns 20 anos atrás...

Respondendo a pergunta no início do texto: sim, o diabo ainda veste prada; desta vez, são dois pares. Pois um clássico nunca sai de moda.

Autor:
                                  

Eduardo Cardoso é natural do Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa. Cardoso é graduado em Letras pela Universidade Federal Fluminense e mestre em Estudos de Linguagem na mesma instituição, ao investigar a relação entre a tragédia clássica com a filmografia de Yorgos Lanthimos. Também é escritor, tradutor e realizador queer. Durante a pandemia, trabalhou no projeto pessoal de tradução poética intitulado "Traduzindo Poesia Vozes Queer", com divulgação nas minhas redes sociais. E dirigiu, em 2025, seu primeiro curta-metragem, intitulado "atopos". Além disso, é viciado no letterboxd. 

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