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| Cinco Tipos de Medo | Downtown Filmes |
Cinco Tipos de Medo foi o vencedor do kikito de ouro de melhor filme no festival de gramado, sendo o primeiro filme mato-grossense a ser selecionado e fazer tal feito. O filme conta 5 histórias diferentes encadeadas por um mesmo acontecimento catalisador da trama. Teve exibição na Mostra de São Paulo.
Ano passado, Oeste Outra Vez faturou o premio de melhor filme em Gramado, quebrando certa longevidade do eixo sul-sudeste que sempre dominou festivais de cinema brasileiro. Verdade seja dita, o centro-oeste não é sequer parte dos cartões postais brasileiros (a exceção de Brasília), e Cuiabá é extremamente pouco representada no nosso cinema.
Na obra de Bruno Bini, Cuiabá e o bairro do Novo Colorado (parte da periferia da cidade) são o coração de uma trama que não tem um protagonista definido. Não há um eixo central do filme, aos moldes de Lucrecia Martel, e isso está longe de ser um problema, pois cria um retrato bastante honesto da obra.
Bruno tem um fio condutor maior que uma linearidade narrativa: a violência, não apenas como um ato, mas como um impulso humano, natural as situações que os personagens estão inseridos diante ao opressivo ambiente que o diretor cria. Cuiabá é tão quente quanto o deserto do Saara e tão violenta quanto a periferia de Paris de Kassovitz.
Ao decorrer da rodagem, se é criado um sentimento de angustia no espectador, não por aquilo que há por vir, e nem aquilo que houve por se ver, mas por aquilo que não há de se ver. A violência é uma resposta do medo, sentimento esse tão irracional que mal pode ser compreendido pelo protagonista Murilo (João Vitor Silva). Você pode até tentar entender aonde chegamos, mas não pode entender como fomos parar lá.
No mais, a esperança de Bruno não está na religião ou na justiça, e sim no ser humano como um regulador, em termos a honestidade de olhar para todo medo e violência e entendermos que não podemos mudá-lo, mas podemos amenizá-lo.
Cinco
Tipos de Medo é uma meditação sobre a violência e deve ser comentada nos próximos
anos de cinema. Não é necessário pelos seus temas, mas pela maestria como são
filmados, de uma maneira muito mais sóbria e honesta que a de muitos outros
cineastas por aí que recebem milhões por um filme.
Autor:
Meu nome é Rodolfo Luiz Vieira, tenho 17 anos e curso o terceiro ano do Ensino Médio. Produzo alguns curtas-metragens e escrevo textos sobre cinema. Meus filmes favoritos são: Em Ritmo de Fuga; La Haine; Eu Vos Saúdo, Maria e Pai e Filha.

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