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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Natal Sangrento (2025) - Um Remake "Levado da Breca"

 

Natal Sangrento (2025) | Diamond Films

Durante a véspera de Natal, o jovem Billy visita o avô no hospital que acaba tendo um acidente medicinal e morre em frente ao garoto. De noite, voltando de carro com seus pais, a família de Billy é interceptada por uma figura estranha vestida de Papai Noel. Para piorar a situação de um dia que já estava ruim, esse "Noel" ataca e mata os pais de Billy , antes de morrer. A ação corta para o futuro e aquela criança se torna um psicopata adulto (Rohan Campbell): ele ouve uma voz na sua cabeça que diz para se vestir de Papai Noel e matar um certo número de pessoas consideradas "levadas" durante a época do fim de ano.

Logo, Billy não para quieto. Ele é um nômade, basicamente. Vai de um canto a outro, cria álibis temporários, não tem nenhum tipo de amizade ou relacionamento que não seja com essa voz onipresente, guiando-o em seus instintos assassinos. Esse modus operandi começa a se complicar quando Billy chega em uma cidadezinha de interior e começa a ficar interessado em Pam (Ruby Modine), uma moça que trabalha em uma loja de produtos natalinos. O que ele faz? Fica na cidade e arruma um emprego nesse estabelecimento para ficar perto dela. A Pam é uma jovem mulher, muito na dela e bem doce, que e também tem seus traumas e, em alguns momentos, parece que é tão desiquilibrada emocionalmente quanto o Billy. 

Porém, a situação começa a ficar complicada quando o rastro de destruição de Billy toca em pequenos segredos da comunidade que pode pôr um alvo nas suas costas, revelando a sua verdadeira face para todos. Natal Sangrento (2025) que entra em cartaz, justamente em Dezembro, o mês do Natal, aqui no Brasil, é o remake de um clássico do slasher estadunidense oitentista: Silent Night, Deadly Night (1984). 

No entanto, os dois filmes tem mais características diferentes do que em comum. A primeira interação da estória focava no desenvolvimento psicossexual e do irracional de Billy. Seu medo à figura de Noel lhe é incutido pelo avô e vítima de abusos físicos e psicológicos pela Madre Superiora do orfanato, e tudo isto ressurge com força quando é obrigado pelo patrão da loja em que trabalha como estoquista a ser vestir do "bom velhinho". É um filme lento, mas que consegue, dentro de suas limitações orçamentárias ou artísticas, construir a personagem principal de modo bastante palpável e psicologicamente amedrontador. A pulsão entre amor e morte e a transmissão de traumas geracionais dão um poder de valor, ao que poderia ser considerado hoje como "uma produção B malfeita" ou "de baixo escalão artístico" ou "um filme bobo e ridículo" (como um colega cinquentão desconhecido a mim de profissão estava defendendo, mais ou menos assim, na fila da cabine).

Apesar disso, os temas da narrativa engrandeceram este clássico, um pouco trágico e camp, do terror natalino. Inclusive as cenas que envolvem efeitos práticos ainda tem seu valor e resultado material, quarenta anos depois. O remake de 2025 mira nessa combinação, mas nem passa perto das pulsões originais.

Escrito e dirigido por Mike P. Nelson, essa nova versão quer atualizar a trama para um contexto atual, dividindo o protagonismo de Billy com Pam, esta personagem baseada em uma da obra de origem. Ela, nesta versão, ganha mais dimensão e facetas do que sua contraparte dos anos 80, um arquétipo da mocinha inocente, simpática e sexualizada das produções daquela época. A evolução de tratamento da personagem era necessária, até mesmo pelo contexto artístico e social ter rompido com cristalização do feminino no terror. 

Porém, o filme de Nelson está cheio de boas ideias e intenções, porém não consegue entregar o que promete ao público. Os diálogos são pavorosos, o gore e o humor são fracos, a fotografia é escura e sem vida, com muitas cenas mal decupadas, confusas e até mesmo mal montadas (devido aos problemas mencionados). Campbell e Modine tentam embarcar na onda do filme, mas não conseguem salvá-lo de um insólito mar de mesmice e de tédio mortal.

 Afinal, este crítico não esperava nada grandioso, já que a produtora responsável pelo remake é também responsável pela franquia Terrifier. Portanto, já esperava encontrar um filme bem trash, com muita violência, com cor e com muitos absurdos... E mesmo assim, nem isso foi entregue nas mãos da direção. Há uma sequencia em que nosso "Noel" assassino acaba caindo um covil de nazistas local e ele deve matar cada um. A ideia é divertida, exagerada e dá uma adrenalina ao filme, mas a execução é uma bagunça preguiçosa e semicompreensível. É de uma péssima capacidade de contar algo pela linguagem cinematográfica que não vejo desde Transformers 4, por exemplo, em que o espectador consegue entender como começa e termina a cena, mas não o percurso de ações que vai do ponto A ao B.

Somado a um trabalho de direção preguiçoso e confuso, que muitas vezes beira ao básico do gênero, mas sem nenhuma profundidade ou timing, há um problema de identidade muito proeminente: não sabe se é uma nova adaptação do filme de 84, ou se quer ser Dexter, ou Venom, ou Kingsman... Essa autofagia pop acaba prejudicando muito mais do que enriquecendo a obra. A sensação é de mastigar carvão, enquanto sou obrigado a ver o filme mais clichê possível. (Enquanto isso, o coleguinha que tinha falado mal do filme original, abraçou esta versão e, na sua mediocridade, o filme conseguiu "dar a volta" para ele...)

Natal Sangrento tem ideias interessantes para atualizar o conto macabro que lhe deu origem, mas é uma pena que nunca saíram da oficina do Noel. Uma pena...

Autor:
                                  

Eduardo Cardoso é natural do Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa. Cardoso é graduado em Letras pela Universidade Federal Fluminense e mestre em Estudos de Linguagem na mesma instituição, ao investigar a relação entre a tragédia clássica com a filmografia de Yorgos Lanthimos. Também é escritor, tradutor e realizador queer. Durante a pandemia, trabalhou no projeto pessoal de tradução poética intitulado "Traduzindo Poesia Vozes Queer", com divulgação nas minhas redes sociais. E dirigiu, em 2025, seu primeiro curta-metragem, intitulado "atopos". Além disso, é viciado no letterboxd. 


terça-feira, 19 de agosto de 2025

Amores à parte (2025) - As aparências enganam

Amores à Parte | Diamond Films


Relacionamentos não são fáceis. Carey (Kyle Marvin) e Ashley (Adria Arjona) sabem muito bem disso. Ele é um professor de educação física, ela uma life coach. Os dois estão casados há vários anos e, ultimamente, a relação está passando por um momento de baixa. Eles ainda não tem filhos e a vida sexual deles não é das melhores. Tudo muda quando eles presenciam um acidente na estrada e a Ashley finalmente toma a decisão de pedir o divórcio do marido, que está bem acomodado nesse relacionamento.

Sem muito chão para se firmar, depois dessa revelação, Carey acaba se refugiando na casa de um casal de amigos: Julie (Dakota Johnson), uma artesã e ceramista, e  Paul (Michael Angelo Covino), um empresário do ramo imobiliário. Eles são ricos, vivem em uma mansão um pouco afastada da cidade e tem um filho, Russ (Simon Webster), que é ao mesmo tempo doce e endiabrado. A Julie e Paul aparentam ter uma vida perfeita, um relacionamento duradouro e sólido. Qual é o segredo deles? Um relacionamento aberto. 

Essa informação muda a percepção de Carey sobre o casal.  Mas as aparências enganam. Pois, a situação começa a mudar, quando, em uma noite em que Paul não está em casa, a Julie começa a se abrir mais com Carey sobre o seu relacionamento e dá sinais de que ela quer ter uma interação mais íntima com o amigo, no que este cede. E o que irá suceder, após a transa de Julie e Carey, é uma rede quadrilátera de paixões e altas invejas em Amores à parte (2025), uma atrapalhada e divertida comédia que estreou no 78o Festival de Cannes, lançamento da Neon nos Estados Unidos. O filme está programado para quinta-feira, 21/08, pela Diamond Filmes no Brasil. 

O longa-metragem é dirigido por Michael Angelo Corvino e coescrito por ele e Kyle Marvin; Dakota Johnson e Adria Arjona também ajudam na produção, uma na produção e outra como produtora executiva, respectivamente. Corvino despontou na direção com o longa-metragem Climb (2019), que, por sua vez, tem temáticas muito parecidas com este filme.

O título original Splitsville exprime melhor a sensação de “quadrilha” (sim, aquele poema de Carlos Drummond de Andrade) que o roteiro arquiteta, pois acompanhamos, de forma bem humorada, a dissolução de dois casamentos interligados entre si. Enquanto Carey tenta aplicar a lógica do relacionamento aberto para evitar um divórcio formal com Ashley, a Julie termina o casamento com Paul, porque ele colocou a família em uma posição financeiramente vulnerável. Mas a fagulha daquela noite ainda é presente tanto em Carey quanto em Julie.

Existe uma certa ironia nos personagens: eles se apropriam do conceito de relacionamentos abertos e não monogâmicos, mas não sabem ao certo a diferença que existe entre essas formas de amar. São pessoas possessivas e egoístas que, por mais que tentem se adaptar a uma nova situação, ainda têm aquele sentimento de territorialidade presentes nelas. 

No momento em que Carey conta a Paul sobre ter ficado com a esposa do amigo, de forma bem direta e honesta, a cordialidade entre eles se quebra. Paul dá um tapa em Carey, depois um outro, logo o amigo revida e, de pouco em pouco, a situação se escala em um briga completa em que a casa em que eles estão é quase destruída no processo. É uma cena muito bem feita e, o modo que a progressão da decupagem desse conflito é espetacular, de um ponto de vista técnico. 

Covino apresenta um ótimo senso de fotografia: os enquadramentos são bem feitos e realçam a comédia física do filme; o jogo de luzes e sombras nas cenas noturnas denotam uma relação de desejo e objeto. Só reparar como, nesses momentos, o rosto da personagem de Johnson está iluminado, enquanto os das outras personagens estão envoltos na obscuridade. E quando ambos personagens estão envoltos em luz e sombra, de forma igual, o desejo é mútuo, porém conflituoso. Há um limite no qual não sabem que podem ultrapassar. É um trabalho visual bem preciso que eleva a experiência do filme e cria um clima muito aconchegante até. 

Outro ponto positivo é o roteiro de Corvino e Marvin que, apesar de ser um pouco redundante na temática, funciona como um estudo bastante divertido de personagem. O texto coloca uma situação aos personagens principais e acompanhamos justamente a evolução dessas pessoas ao longo da narrativa, que é dividida em partes para demarcar os pontos de virada da obra; não sei se era 100% necessário, neste caso. Além disso, o trabalho de mesclar todo esse trabalho de desenvolvimento de personagem e mesclar com cenas de comédia física e momentos de piada não é tarefa fácil. O que temos aqui é uma comédia que bebe de várias fontes: a fisicalidade das comédias de Buster Keaton, tom megalomaníaco das screwball comedies dos anos 30 e o estilo de humor das comédias que surgiram na nova Hollywood, nos anos 70; algo entre Allen e Bogdanovich.

É claro que para carregar a pretensão artística da produção, o filme necessita de performances que não deixam a peteca do roteiro cair no chão.  Há uma sinergia entre os atores bem palpável que deixa o clima bem íntimo dos espectadores:

 Michael Angelo Corvino e Kyle Marvin tem bastante química juntos, que não vem somente deste projeto. Enquanto Corvino traz uma performance bem passivo agressiva, Marvin incorpora uma personalidade mais inocente e o ator consegue lidar bem com o humor físico. A reação dele em uma cena que envolve peixes é impagável. Dakota Johnson tem um papel contido, porém ambíguo, no qual se encaixa bastante no seu leque de performances de personagens carismáticas e introvertidas. Adria Arjona também está bem em um papel egocêntrico e narcisista, que começa a repensar suas prioridades amorosas, com resultados que beiram ao fator cringe (como qualquer pessoa que se diz como coach de algo).

Amores à parte (2025) é um filme que peca um pouco no desenvolvimento do tema, mas tem um trabalho de direção de atores bem forte, personagens complexos e sua comédia de situação que atinge o seu alvo, com algumas das cenas mais hilárias do ano. Uma farsa com tempero estético. A moral é: relacionamentos abertos não funcionam com os héteros, são possessivos e apegados demais, é melhor deixar nas mãos das gays mesmo. 

    Autor:
                                  

Eduardo Cardoso é natural do Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa. Cardoso é graduado em Letras pela Universidade Federal Fluminense e mestre em Estudos de Linguagem na mesma instituição, ao investigar a relação entre a tragédia clássica com a filmografia de Yorgos Lanthimos. Também é escritor, tradutor e realizador queer. Durante a pandemia, trabalhou no projeto pessoal de tradução poética intitulado "Traduzindo Poesia Vozes Queer", com divulgação nas minhas redes sociais. E dirigiu, em 2025, seu primeiro curta-metragem, intitulado "atopos". Além disso, é viciado no letterboxd.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Juntos - Nem Freud explica essa mistura

Juntos | Diamond Films


Após se mudarem para o campo, um encontro sobrenatural começa a transformar o amor de um casal, suas vidas e sua carne.

O filme se insere no subgênero body horror, um tipo de terror que aborda a transformação, mutilação e degradação do corpo humano, frequentemente por meio de imagens gráficas e perturbadoras. Esse estilo explora angústias existenciais profundas, usando o corpo como metáfora para temas como doenças, envelhecimento e a perda de controle sobre si mesmo. Juntos, essa abordagem ganha uma dimensão literal: O casal protagonista experimenta uma união física desconcertante, em que beijos fazem seus lábios se fundem de forma dolorosa e mãos penetram na pele do outro como se fossem matéria maleável. Esses momentos causam forte desconforto, não apenas pelo aspecto visual, mas pelo simbolismo da fusão amorosa levada ao extremo — onde a intimidade e a invasão se tornam indistinguíveis.


Millie Wilson é uma mulher decidida, afetuosa e resiliente. Ao pedir Tim em casamento em sua festa de despedida no início do filme, ela demonstra coragem emocional e desejo de estabilidade, mesmo diante da hesitação dele. Sua capacidade de tomar a iniciativa e se adaptar a mudanças — como aceitar um novo emprego e se mudar para o interior — mostra uma personalidade prática e determinada. Ainda assim, há uma certa vulnerabilidade em sua tentativa de manter o relacionamento funcionando a todo custo, como se quisesse salvar algo que está escorregando por entre os dedos. Millie é sensível e acolhedora, como se vê no modo como lida com Jamie, o novo colega, mostrando abertura para novas conexões e tentando se inserir num novo ambiente com naturalidade.


Tim, por outro lado, é um homem emocionalmente retraído, ainda lidando com um luto profundo e um trauma mal resolvido relacionado à morte dos pais. Como aspirante a músico, ele carrega em si uma natureza introspectiva e sensível, mas está num momento em que parece paralisado, desconectado de seus sentimentos e do mundo ao redor. A hesitação diante do pedido de Millie reflete não apenas insegurança, mas talvez uma recusa inconsciente à intimidade. As lembranças bizarras e perturbadoras que ele revive — como a imagem da mãe ao lado do cadáver do pai — revelam a profundidade de seus traumas, que ele reprimiu por tanto tempo que agora retornam distorcidos e intesificados. Tim parece confuso, passivo, carregando culpa ou medo que não consegue nomear, o que o torna cada vez mais instável.


A dinâmica entre Millie e Tim é marcada por um desequilíbrio crescente. Enquanto ela tenta manter os dois próximos e construir uma nova vida, ele se afasta, afundando-se em um território emocional sombrio. A caverna onde passam a noite pode ser vista como uma metáfora do inconsciente — um espaço onde segredos, traumas e desejos reprimidos começam a se manifestar. Ambos emergem dessa experiência diferentes, ainda que tentem fingir o contrário. A tensão crescente entre o desejo de normalidade e o peso do passado parece prestes a explodir, ameaçando o relacionamento e a própria sanidade deles.


Juntos transforma a intimidade em uma experiência visceralmente incômoda, onde o desejo de proximidade se confunde com a perda de limites, identidade e controle. Essa abordagem radical não apenas atualiza os códigos do Body Horror, mas também desafia ideias romantizadas de conexão e entrega emocional. O desconforto visual das transformações físicas é apenas a superfície de um mal-estar mais profundo: a sensação de que, ao tentar se fundir completamente com o outro, o ser humano corre o risco de desaparecer. É nesse ponto que o filme se revela mais perturbador — não por seus efeitos grotescos, mas por aquilo que eles simbolizam. Ao fim, resta menos uma resposta do que uma inquietação persistente: até onde é possível amar sem se destruir?


Autor:


Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Sting: Aranha Assassina - Quando o Terror Se Perde em Tentativas de Humor e Drama Familiar

Sting - Aranha Assassina | Diamond Filmes

Em Sting - Aranha Assassina, uma noite fria e tempestuosa em Nova York, um objeto misterioso cai do céu, quebrando a janela de um prédio de apartamentos decadente. Dentro dele, um ovo eclode, dando vida a uma estranha aranha. Charlotte (Alyla Browne), uma garota rebelde de 12 anos e fã de histórias em quadrinhos, descobre a criatura e a nomeia Sting. Enquanto sua mãe e seu padrasto, Ethan (Ryan Corr), lutam para se ajustar à chegada de um novo bebê, Charlotte se sente cada vez mais isolada e encontra consolo na amizade com Sting. No entanto, à medida que a aranha cresce em tamanho e apetite, os animais de estimação dos vizinhos começam a desaparecer, seguidos pelos próprios moradores. Quando a verdadeira natureza de Sting é revelada, Charlotte se vê em uma corrida contra o tempo, sozinha em sua luta para salvar sua família e os excêntricos habitantes do prédio de um aracnídeo voraz que agora os caça. Determinada a proteger aqueles que ama, Charlotte deve encontrar uma maneira de deter a criatura antes que seja tarde demais.

Filmes com animais assassinos costumam misturar o medo com o suspense, e geralmente apresentam criaturas que se tornam uma ameaça para os seres humanos. O filme mais recente envolvendo Aranha Assassina e até possui uma premissa parecida é Infestação (2023), que acompanha Kaleb, um jovem solitário que encontra uma aranha venenosa em um bazar e a leva para seu apartamento. Quando a aranha se espalha rapidamente, o prédio se torna uma armadilha mortal, e os moradores devem lutar pela sobrevivência enquanto a polícia isola o local. No entanto, Em Sting se diferencia ao focar na relação emocional de Charlotte com a criatura, em um enredo que mistura o medo com um toque de empatia e solidão adolescente. A tensão central reside não apenas na ameaça da aranha, mas também no isolamento e na crescente desconexão de Charlotte com os outros, sendo até interessante. Enquanto o Ethan, que exerce o papel de padrasto, sente-se sobrecarregado ao prestar assistência aos moradores do edifício em ruínas, realizando tarefas como encanamento e outras atividades. Além disso, dedica seu tempo livre à ilustração de histórias em quadrinhos, enquanto gerencia suas responsabilidades familiares, incluindo o cuidado do bebê e a manutenção de seu relacionamento com a enteada. O dramas familiar é interessante nesse gênero, mesmo que o foco seja o terror, é possível de criar empatia pelos personagens.

As sequências envolvendo a criatura ameaçadora falham em gerar o impacto desejado, resultando em uma experiência desconexa e sem tensão. Embora o filme se proponha a ser de terror, a mistura de elementos cômicos com o aspecto aterrorizante acaba comprometendo sua eficácia. A tentativa de equilibrar o humor com o medo se revela forçada, prejudicando a imersão do público e minando o potencial das cenas mais intensas. Além disso, a falta de consistência tonal torna a narrativa superficial, afastando a possibilidade de criar uma atmosfera realmente envolvente e inquietante. O filme, ao invés de explorar o medo de forma plena, se perde em uma tentativa equivocada de apelar para diferentes registros emocionais, sem alcançar uma identidade coesa que conecte o espectador à trama.

A protagonista do filme é excessivamente irritante, sempre reclamando do padrasto, do irmãozinho e de tudo ao seu redor. Sua mãe critica o marido, que trabalha fazendo quadrinhos. A única forma de criar empatia pela história é o fato de serem uma família com um bebê envolvido. Se fosse um grupo de amigos, seria fácil torcer para que a aranha resolvesse eliminar todos.

Sting - Aranha Assassina" tenta mesclar terror e drama familiar, mas a mistura de humor e medo compromete a tensão. A narrativa se torna desconexa, e os personagens, especialmente a protagonista, dificultam a criação de empatia. Embora a trama busque explorar o isolamento e a relação com a família, o filme falha em gerar impacto, tornando-se uma experiência insatisfatória para os fãs de terror. 

Autor:


Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator em formação e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

O Aprendiz - o filme que Donald Trump não quer que você veja

O Aprendiz | Diamond FIlmes

O aprendiz conta a forma com que Donald Trump ascendeu sua carreira de forma a se tornar um dos grandes empresários dos anos 80. Acompanhamos Trump, um homem que ao mesmo tempo que tenta emergir na vida, também tem de fugir do processo judicial que persegue a ele e sua família. No entanto, é na relação com Roy Cohn, que Trump é realmente lapidado, se transformando com o passar do filme, no ser humano que hoje vemos na política americana.

Um filme que, por se tratar de uma película americana falando sobre uma figura muito forte até hoje, tinha tudo para cair para um lado de idealização, mas que consegue encontrar um meio termo excelente entre humor e fidelidade histórica. Inicialmente, Trump é posto como uma figura de piada, entretanto, na segunda metade fica evidente sua busca por capital acima de qualquer coisa, de forma brutal, mostrando inclusive atos abomináveis do mesmo. Dessa forma Ali Abbasi, equilibra o filme, de modo que não caia para o caricato nem para o raso.

O filme constrói a imagem de Trump em um primeiro plano, como um jovem esforçado e afetuoso pelos que o rodeavam, com o passar do tempo, entretanto vemos a transformação de Trump na verdadeira faceta do capitalismo, um homem que uma vez fora gentil, agora não tem mais afeto a nada que não o gere qualquer tipo de lucro. Essa transformação é acompanhada tanto no evoluir de suas roupas, no sentido de cada vez mais luxuosas, quanto no introduzir do dourado em acessórios e cenários, evidenciando, dessa forma, o enriquecimento e mudança da mentalidade do personagem.

A atuação de Sebastian Stan e Jeremy Strong, contribuem diretamente com o impacto que o filme busca causar. Sebastian Stan interpretando Donald Trump, brilha na questão do contraste que consegue alcançar do Trump do começo do filme para o do Final. Já Jeremy Strong que interpreta Roy Cohn, começa com uma atuação mais forte, sendo bem duro mas sempre preservando a amizade acima de tudo, dessa forma lapidando seu aprendiz, com o passar do tempo, o homem que se mostrava tão duro e forte, agora já se encontra consumido por sua doença, que esconde veemente. Mesmo com seu mentor a beira da morte, Trump não faz questão alguma de ajudá-lo, agora não o interessa mais a existência de Roy.

Portanto, uma ótima comédia biográfica que foi capaz de me entreter por todo seu tempo de duração. Apesar de não conhecer a história do filme previamente, a obra foi capaz de transmitir a mensagem que desejava de forma clara e direta. No entanto, acredito que perde um pouco da força ao final, mas nada que atrapalhe a experiência.


Autor:


Me chamo Gabriel Zagallo, tenho 18 anos, atualmente estou cursando o 3º ano do ensino médio e tenho o sonho de me tornar jornalista, sou apaixonado por cinema e desejo me especializar nisso. Meus filmes favoritos são Stalker, Johnny Guitar, Paixão e Rio, 40 graus.

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Ligação Sombria - Um filme precisa mais do que a loucura de Nicolas Cage

Ligação Sombria | Diamond Films

Ligação Sombria conta a história de um motorista que está a caminho de acompanhar sua mulher em um parto, até que aparece um Passageiro com uma arma que o obriga a dirigir até certo lugar, que nem mesmo o motorista sabe qual é. O filme é protagonizado pelo ator Joel Kinnaman e tem o antagonista interpretado pelo famoso Nicolas Cage. Muitos vão comparar o filme com a obra "Colateral" de Michal Mann, mas o filme não chega ao mesmo nível nem no quesito direção, nem em narrativa e nem em interpretação. 

Existe aqui múltiplas tentativas do filme ser diferente em alguma coisa de outros filmes com o mesmo estilo de narrativa, seja no personagem exótico de Nicolas Cage, seja na direção que faz questão em todo plano contrastar bastante a cor azul e vermelha sempre que possível, ou seja na narrativa em botar uma certa reviravolta pois o filme não tinha outro caminho para seguir. Mas mesmo com todas as suas problemáticas, o filme ainda consegue se manter por conta do personagem de Cage.

O Passageiro é um personagem que tem as características que todos buscam em um filme com a participação do Nicolas Cage, sejam suas caretas, seus tiques nervosos com sons e seus exageros, que fazem o filme se diferenciar em suas esquisitices, mas não é algo que mantém a obra como um todo. Por exemplo, a sua motivação de tudo aquilo estar acontecendo faz toda a proposta ir por água abaixo, pelo simples fato de Nicolas Cage fazer um personagem insano em todo o filme. E do nada a narrativa quer dar um porque do que ele está fazendo oque está fazendo com o protagonista na forma mais preguiçosa possível. 

Os diálogos funcionam em pequenos momentos, em outros são compostos de forma bem forçada para enfatizar o lado eufórico do personagem de Cage, fazendo filme balançar em não saber exatamente que tipo de filme o autor quer fazer. Até mesmo nas escolhas da direção fotográfica que vai de planos parados fechados ou em conjunto ao longo de toda a obra, ou tenta algumas sequências com a câmera na mão tentando mostrar mais tensão as vezes de forma pífia. 

Mas o filme, mesmo com todas suas problemáticas listadas, é um filme propriamente ruim? Ligação Sombria é um filme que ainda funciona em entreter com pequenos momentos de tensão e ação ao longo da obra, mesmo sendo momentos muito pontuais. E mesmo com as facilitações entregues pelo roteiro, o filme ainda consegue funcionar na linearidade proposta desde o início da obra. 

Ligação Sombrosa tenta navegar por várias direções, mas se perde em todas elas. Ainda assim, consegue funcionar pela interpretação eufórica de Nicolas Cage, seu trabalho de construção de ambiente(em certos momentos), e nas cenas que envolvem mais violência e ação. Um entretenimento barato, mas funcional. 

TEXTO DE ADRIANO JABBOUR.

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Long Legs: Vínculo Mortal - O Diabo está nas entrelinhas

Long Legs: Vínculo Mortal | Diamond Films
 
"Long Legs: Vínculo Mortal" conta a história de uma agente do FBI que começa a investigar assassinatos de famílias causados por um serial killer chamado Long Legs. Porém a agente Lee Harker começa a perceber que os casos envolvem elementos que vão muito além da compreensão humana, envolvendo até ela mesma. A direção e o roteiro foram feitos por Oz Perkins, tendo Nicolas Cage como Long Legs e Maika Monroe como agente Lee Harker.

A obra carrega um conjunto de referências principalmente ligadas ao terror europeu, trabalhando a ideia de um terror com uma atmosfera mórbida e esbranquiçada, além de ter um trabalho de som que consegue colocar o espectador em uma imersão sensorial, em conjunto com o trabalho de luz do filme, de forma efetiva. Transformando aquele espaço, mesmo quando não tem violência presente, em algo apático e vazio, quase como se fosse um limbo. 

Claro que é necessário apontar a efetividade dentro do trabalho de decupagem em conjunto com a montagem que conseguem entregar o ritmo certeiro para oque é proposto pela narrativa. Uma narrativa que parece se propor à quase que um thriller, mas na verdade foca em ser um filme de terror sobrenatural. Sendo esse um dos pontos que conseguem fisgar o espectador para a tela em querer saber qual que é o verdadeiro "mal" nessa história.

A direção de arte do filme em conjunto com o trabalho de iluminação dão a camada essencial que conecta ao roteiro onde quer propor que o "Mal" humano não funciona sozinho, esse "mal" é contagioso e pode parecer macabro em alguns momentos, mas pode aparecer como uma simples moça querendo dar um presente da igreja para alguém. O terror não está no sobrenatural em si, mas na sua presença quando ele sempre acontece. 

A forma que Perkins conduz a escolha dos planos com a narrativa é a principal chave que faz o filme funcionar. Ao mesmo tempo que os primeiros planos, os closes e os planos sequência em cima da agente Harker faz a gente entender que esse "Mal" está cercando ela em todo lugar, os planos gerais mostrando na maior parte do tempo a protagonista se locomovendo de carro pelas ruas e os bairros onde tudo ocorre faz o espectador se questionar sobre a frase que a Mãe da personagem protagonista fala durante uma ligação com a filha "- Você tem orado? Sabe que a oração nos protege dos demônios". Mas o espectador logo na introdução do filme consegue ver a contradição, não existe sinal de "Deus" naquele lugar. 

Necessário apontar o ótimo trabalho de atuação do Nicolas Cage como Long Legs e a evolução na atuação da atriz Maika Monroe que já é conhecida desde seu trabalho em A Corrente do Mal, de 2014. O trabalho de ambos no filme, mesmo sendo completamente antagônicos, conseguem trazer seriedade e perturbação sempre quando necessários, principalmente em Cage nos momentos que Long Legs dá pequenos surtos ao longo da narrativa em momentos pontuais. Picos emocionais que dão mais medo desse serial killer do que simplesmente algo gratuito. 

Long Legs: Vínculo Mortal não foca em ser um terror mostrando sanguinolência ou jumpscares de demônios e fantasmas aparecendo, é um terror sobrenatural que faz questão de lembrar que o "Mal" não funciona sem a humanidade. Não é o demônio que mata, mas aqueles que estão caminhando pelas calçadas, as vezes parecendo um louco completamente distorcido, um policial, ou uma enfermeira. O "Mal" se encontra nas entrelinhas, que estão escritas até mesmo nas nossas histórias. Histórias que as vezes só esquecemos, ou fazemos questão de esquecer. 

Os Assassinos (1964) - O Parasitismo Capitalista Pintado com Sangue e Luz

  Os Assassinos | Universal Pictures A obra de Don Siegel é um remake do filme de 1946, dirigido por Robert Siodmak e estrelado por Burt Lan...