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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Por Água Abaixo - Quando a descarga vira lição de vida

Por Água Abaixo | DreamWorks


Roddy é um ratinho acostumado a um bairro luxuoso de Londres. Sem querer, ele dá uma descarga infeliz e acaba nos esgotos, onde terá de aprender a viver de uma forma completamente diferente.

Roddy representa o estereótipo do rico herdeiro que sempre viveu em sua própria “bolha”, que seria a sua gaiola. Sua jornada gira em torno do confronto com a realidade do seu próprio povo. Antes de cair na privada, ele vivia isolado, interagindo apenas com bonecos, o que evidencia sua solidão e alienação. Embora soubesse da existência do esgoto, enxergava-o como um lugar sujo via as coisas como um ser humano sempre viu, que o esgoto era um lugar sujo e inferior. No entanto, ao conhecê-lo, percebe que, apesar das condições precárias, existe ali uma sociedade organizada, na qual os ratos trabalham e se ajudam mutuamente. A principal diferença entre eles está no privilégio: Roddy sempre teve conforto e proteção, enquanto os demais precisaram sobreviver com muito menos. Do ponto de vista do protagonista, ser animal de estimação de humanos era visto como um luxo.

Ao longo da aventura, o protagonista conhece uma rata catadora de lixo, filha mais velha de uma numerosa família. Trabalhadora e determinada, ela assume responsabilidades que vão além da própria idade, buscando no lixo recursos para garantir a sobrevivência de todos. Sua postura evidencia não apenas a desigualdade social presente na obra, mas também ressalta valores como solidariedade, esforço e resiliência. Diferentemente de Roddy, que sempre viveu cercado de conforto, ela representa a força daqueles que, mesmo diante das dificuldades, mantêm a dignidade e o compromisso com quem amam.

A obra evidencia a desigualdade social ao representar a classe mais pobre por meio dos ratos que vivem no esgoto, enquanto a classe mais rica é simbolizada pela vida confortável de Roddy. Na realidade, observa-se que indivíduos pertencentes às classes mais altas frequentemente demonstram preconceito em relação às pessoas de baixa renda, tratando-as como inferiores. Essa desigualdade social pressupõe a inferiorização das camadas menos favorecidas e reflete valores de grupos privilegiados, gerando atitudes excludentes. Isso se manifesta tanto no preconceito de Roddy em relação aos ratos do esgoto quanto na forma como eles também o enxergam.

O estúdio responsável pela animação, a Aardman Animations, costuma produzir filmes utilizando a técnica de Stop Motion, que consiste na animação quadro a quadro. Essa técnica cria a ilusão de movimento por meio da manipulação física de objetos, como massinhas ou bonecos, fotografando a cada pequena mudança de posição. Entre outras produções do estúdio estão Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais e A Fuga das Galinhas. Apesar de Por Água Abaixo apresentar o mesmo estilo visual dessas animações, ele não foi produzido em Stop Motion. A presença constante de água tornaria a técnica extremamente complexa e difícil de executar. Por isso, optou-se pela animação em 3D tradicional,preservando a identidade visual que é marca registrada do estúdio. Dessa forma, a escolha demonstra que é possível inovar tecnicamente sem perder a essência artística.

Por Água Abaixo vai muito além de uma simples animação sobre ratos aventureiros. O filme utiliza humor e fantasia para abordar temas sérios, como desigualdade social, preconceito e privilégios, mostrando que a verdadeira mudança acontece quando saímos da nossa própria “bolha”. Ao acompanhar a jornada de Roddy, o público percebe que, às vezes, é preciso literalmente “descer pelo ralo” para enxergar o mundo com outros olhos. No fim das contas, entre esgotos e mansões, a maior lição é que valor não está no lugar onde se vive, mas na forma como se vive.

Autor:


Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Como Treinar o Seu Dragão (2025) - DreamWorks entra na onda do live-action com um ‘copia e cola’ caprichado

Como Treinar o Seu Dragão | DreamWorks


Na acidentada ilha de Berk, um garoto viking chamado Soluço desafia séculos de tradição ao se tornar amigo de um dragão chamado Banguela. No entanto, quando surge uma ameaça ancestral que coloca ambas as espécies em perigo, a amizade de Soluço com Banguela se torna a chave para forjar um novo futuro. Juntos, eles devem navegar pelo delicado caminho rumo à paz, alçando voo além das fronteiras de seus mundos e redefinindo o que significa ser um herói e um líder.

Este é o primeiro live-action da DreamWorks Animation, e sinceramente, não consigo imaginar o estúdio fazendo versões em carne e osso de outras de suas animações. Seria estranho ver uma adaptação de Madagascar, por exemplo. Por outro lado, uma versão live-action de O Caminho para El Dorado seria simplesmente perfeita. Engraçado que, nesse mesmo período, lançaram mais um live-action de uma obra criada pelo Chris Sanders — a outra sendo Lilo & Stitch. Se eu ganhasse um real toda vez que isso acontece, não é muito, mas é cômico que, no mesmo período, tivemos dois! Faz sentido ter uma versão live-action de Como Treinar o Seu Dragão pelo estilo visual relativamente realista e pelo fato de ser protagonizado por humanos. Embora os dragões sejam parte essencial da história, eles podem ser perfeitamente recriados graças ao avançado CGI. Além disso, vendo o sucesso que sua concorrente está fazendo ao transformar suas animações em versões live-action, a DreamWorks não perdeu tempo e apostou em uma adaptação de um dos seus ovos de ouro.


O filme é praticamente uma cópia fiel da animação original, mantendo a mesma história central com poucas alterações nos detalhes. Essas mudanças, embora sutis, tentam dar uma nova cara à narrativa, mas não chegam a transformar a essência da trama. Por exemplo, numa cena importante em que Astrid descobre o segredo de Soluço — que ele está escondendo um dragão — há uma pequena diferença entre as versões. Na animação, Banguela prende Astrid a uma árvore, criando um momento de tensão e humor característicos. Já no live-action, essa mesma cena acontece num penhasco, o que muda um pouco a dinâmica, dando um tom mais dramático e perigoso à situação. São essas pequenas alterações que tentam diferenciar o filme, mas que no geral não escapam do tradicional “copia e cola” da obra original. Mas isso não quer dizer que o filme seja ruim — muito pelo contrário. Mesmo sendo uma reedição do que já vimos na animação de 2010, isso não impediu que eu gostasse da adaptação. Diferente do Rei Leão (2019), que me pareceu um filme sem alma, uma mera cópia e cola, onde os animais, apesar do visual impressionante, não tinham expressões faciais que transmitissem emoções de verdade.


A história comove ao retratar de forma sensível o vínculo que se desenvolve entre Soluço e Banguela. No começo, Soluço é guiado pelo medo e pelos preconceitos enraizados em sua sociedade, mas aos poucos percebe que o dragão não representa perigo — pelo contrário, é uma criatura com sentimentos, tão sensível e solidária quanto qualquer ser humano. Essa mudança representa o crescimento do personagem principal e traz uma crítica sutil à intolerância e à violência sem razão. Ao mostrar o "inimigo" de forma mais humana, o filme provoca uma reflexão sobre o verdadeiro significado de coragem, força e convivência, revelando uma profundidade que vai além da superfície da narrativa.

 

O CGI dos dragões é realmente impressionante. Cada movimento, desde o bater das asas até os pequenos gestos, é cuidadosamente trabalhado para transmitir uma sensação incrível de realismo e personalidade. As texturas das escamas, o brilho nos olhos e as expressões faciais são tão detalhadas que os dragões parecem criaturas verdadeiras, com emoções palpáveis. Banguela, em especial, ganha vida de forma tão convincente que é fácil esquecer que ele é totalmente digital — ele demonstra uma gama completa de sentimentos, desde a travessura até momentos de ternura, trazendo para a tela toda a emoção e carisma que a animação já havia conquistado. Essa qualidade técnica não só impressiona visualmente, mas também fortalece a conexão do público com a história, tornando a experiência muito mais envolvente e memorável.


A essência dos personagens humanos da animação também está muito bem preservada no live-action. Os protagonistas mantêm suas características e personalidades marcantes, o que é fundamental para preservar a conexão emocional que o público já estabeleceu com a história. Mesmo com a transição para atores reais, as nuances de cada personagem são cuidadosamente mantidas — desde as inseguranças e dúvidas de Soluço até a coragem e determinação de Astrid. A química entre o elenco é evidente, trazendo autenticidade às relações que já conhecemos e amamos. Além disso, as motivações e conflitos internos permanecem fiéis ao original, garantindo que a alma da narrativa não se perca na adaptação. Essa fidelidade ajuda a criar uma ponte entre fãs antigos e novos espectadores, fazendo com que a experiência seja genuinamente envolvente para todos.


Como Treinar o Seu Dragão em live-action é uma adaptação que honra a essência da animação original, trazendo à tela uma história familiar com visuais deslumbrantes e personagens bem interpretados. Embora não se arrisque muito, optando por seguir fielmente o roteiro conhecido, o filme se destaca pelo impressionante trabalho do CGI, especialmente na criação dos dragões, e pela química autêntica entre os atores humanos. Para quem é fã da franquia, é uma experiência que reforça o carinho pelos personagens e seu universo; para novos espectadores, uma porta de entrada visualmente rica e emocionante. Talvez não seja uma revolução no gênero, mas é, sem dúvida, uma homenagem digna e encantadora a um dos grandes sucessos da DreamWorks.


Autor:


Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.

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