Mostrando postagens com marcador aventura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aventura. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Anaconda (2025) - Fazendo Cinema Até a Cobra Acordar

Anaconda(2025) | Sony Pictures


Os melhores amigos Griff e Doug partem para as selvas da Amazônia para filmar um reboot de seu filme favorito de todos os tempos, Anaconda. No entanto, a vida logo imita a arte quando uma anaconda gigantesca com sede de sangue começa a caçá-los.

Jack Black vive um cineasta tão obcecado por cinema que resolve arrastar uma equipe inteira para o território selvagem. O plano era fazer arte. O resultado? Uma criatura gigante, gritaria, correria e a ambição cinematográfica sendo atropelada pela luta básica pela sobrevivência. Pela sinopse, dá até a impressão de que estamos falando de King Kong (2005) — só faltou o macaco pegar o Oscar. Mas, calma: estamos diante de um reboot assumidamente auto-paródico de Anaconda. E, apesar da coincidência conceitual, as semelhanças com King Kong param por aí. Aqui, o filme abraça o exagero, ri de si mesmo e entende exatamente o tipo de diversão que quer entregar. Não é sobre grandiosidade épica, e sim sobre entretenimento descompromissado, consciente do próprio absurdo — e isso, curiosamente, acaba sendo seu maior acerto.

Doug (Jack Black) e Griff (Paul Rudd) querem realizar o sonho de filmar a cobra gigante, um desejo que nasce não apenas da ambição criativa, mas de uma amizade construída ao longo dos anos e sustentada por um amor sincero pelo cinema. Há algo de bonito — e ao mesmo tempo ingênuo — nessa parceria: dois amigos que acreditam no poder da arte mesmo quando a realidade insiste em mostrar seus limites. O filme observa essa relação com carinho, deixando claro que a paixão pelo cinema pode ser inspiradora, mas também cega, capaz de transformar entusiasmo em imprudência. É nesse equilíbrio entre afeto, ilusão e choque com o real que Doug e Griff se tornam mais humanos — e a história, mais interessante.

A geografia do filme é tratada com um descaso evidente, beirando o caricato. Ao chegar ao Brasil, é mostrado para o público o Rio de Janeiro e, em um corte abrupto, já estão imersos na Amazônia, como se a maior floresta tropical do mundo estivesse literalmente ao lado da cidade. Essa escolha não apenas ignora a imensa dimensão territorial do país, como também reduz o Brasil a um amontoado de cartões-postais genéricos, usados apenas como pano de fundo exótico para a trama. O problema não está na liberdade criativa — algo que o próprio filme abraça em outros aspectos —, mas na falta de intenção crítica ou humorística nesse erro específico. Diferente de uma sátira assumida, a sequência soa como desinformação pura, reforçando estereótipos antigos que o cinema estrangeiro insiste em reciclar, a comparação com o episódio polêmico de Os Simpsons é inevitável, episódio esse no qual eles vão para o Rio de janeiro e ocorre essa mesma falha geográfica. Esse equívoco quebra a imersão e evidencia uma negligência narrativa que contrasta com o cuidado que o filme demonstra em sua proposta metalinguística. É um detalhe que pode parecer pequeno, mas revela uma visão superficial do cenário retratado — e isso pesa negativamente no conjunto da obra.

Anaconda (2025) funciona melhor quando assume sua própria natureza exagerada e autoconsciente, encontrando força no humor, na metalinguagem e na relação afetuosa entre seus protagonistas. A paixão pelo cinema que move Doug e Griff dá ao filme um coração sincero, capaz de tornar o absurdo mais palatável e até cativante. No entanto, esse mesmo cuidado não se estende a todos os aspectos da produção. O tratamento superficial do Brasil e os deslizes geográficos evidenciam uma negligência que enfraquece a imersão e expõe velhos vícios do cinema estrangeiro. Assim, Anaconda (2025) se mantém como um entretenimento divertido e honesto em sua proposta, mas irregular: acerta ao rir de si mesmo, e tropeça quando prefere o estereótipo fácil ao olhar mais atento.

Autor:


Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.

Avatar: Fogo e Cinzas (2025) - A Nova Farofada Épica de Cameron Ainda Tem Seu Apelo

Avatar: Fogo e Cinzas (2025) | 20th Century Studios

 

Dizer que Avatar é uma narrativa épica geracional é, ao mesmo tempo, uma verdade e um eufemismo, pois o diretor James Cameron explora o mundo de Pandora dentro dessa seara e o público acompanha a jornada da família Sully, durante a tentativa de colonização do planeta por terráqueos. No primeiro filme, acompanhamos a jornada de Jake Sully (Sam Worthington), um militar que é enviado pelo governo estadunidense a se infiltrar em uma tribo Na'vi como um "avatar", mas após esse contato, ele se rebela contra o exército e lidera um revolta, à princípio, bem sucedida.  Já no segundo, ao lado de Neytiri (Zoe Saldaña), Jake forma uma família, enquanto são perseguidos pelo implacável Miles Quaritch (Stephen Lang), agora em seu "avatar". Agora, neste terceiro capítulo da saga, após de duas introduções ao universo aqui criado, o rumo da aventura fica mais soturno, mas sem as suas contradições.

Após a perda de seu filho mais velho, Jake e Neytiri e seus filhos sofrem com o luto, porém, após o encontro da família Sully com a tribo do povo das cinzas, liderados pela implacável líder xamânica Varang (Oona Chaplin), eles lutam pela sobrevivência, enquanto o governo prepara um novo plano para explorar os recursos naturais de Pandora. Nesta nova parte, Cameron desvia a atenção da personagem de Worthington para desenvolver melhor outras personagens em seu catálogo: Lo'ak (Britian Dalton) sente culpa pela morte do irmão mais velho, enquanto se empenha a salvar os tulkuns (também conhecidas como as "baleias de Pandora"); Neytiri começa a nutrir um ódio profundo a Spider (Jack Champion), o "humano de estimação" dos Sully e filho biológico e Quaritch, que começa a sofrer mutações, após Kiri (Sigourney Weaver), mesmo sofrendo com convulsões mortais, salvá-lo, através de Eywa; enquanto isso, Miles se aproxima de Varang para uma possível união contra os Sully. 

O maior acerto de Cameron neste novo filme de seu épico seja a escalação de Chaplin como a adversária dos protagonistas e sua eventual relação com a personagem de Lang. Varang se faz aqui necessária, para mostrar uma outra faceta dos Na'vi que faltava a franquia, alguém que volta contra os costumes para manter a própria sobrevivência e de seu clã. Aqui, o povo das cinzas, rompeu os laços com Eywa e querem destruição e chamas. A química que existe entre Chaplin e Lang nas cenas em que contracenam juntos, mesmo com todo o CGI, é intoxicante, para dizer o mínimo. Eles funcionam como um reflexo um do outro, do que uma balança para exaltar ou clarificar o outro personagem. Há uma sinergia que funciona bem que, certamente, deixará o público mais interessados nos antagonistas. Outra tensão que me chamou a atenção é a tensão existente entre Neytiri (que honestamente comecei a odiando e depois acabei me redimindo com ela) e Spider, que passam por transformações internas e externas, e dominam boa parte da narrativa. ao levantar questões sobre (não) pertencimento dentro de uma sociedade.

Por mais que James Cameron sabe como filmar cenas de ação, dominar com sofisticação tons narrativos e explorar todos os recursos tecnológicos a seu dispor, ele tem problemas sérios com a escrita de roteiro, o que já era um defeito recorrente da franquia. Na busca de narrativas épicas, oriundas de tradições de vários povos originários, Cameron parece ter pego todos esses elementos culturais e jogado numa roda da "jornada do herói". 

Ao mesmo tempo em que o realizador deseja avançar na narrativa e desenvolver o mundo e as personagem que criou, uma outra parte de seu ânimo parece que nunca superou o impacto cultural do primeiro Avatar, em 2009, e, não obstante, de Titanic, em 1997. Se isto já estava presente em O Caminho da Água (2022), que era uma farofada reciclada, o mesmo se aplica para Fogo e Cinzas (2025).  Aqui o protagonismo é muito mais coletivo do que nos outros filmes, o que torna o centro narrativo mais difuso (e talvez um pouco bagunçado), da mesma maneira que Cameron quer encerrar um ciclo para anunciar um próximo, mesmo que não seja da forma mais uniforme, com um terceiro ato corrido, em prol de uma grande batalha final, por exemplo. Mas, se tem uma coisa que essa produção tem é tempo e dinheiro, para não dar vexame. Sem isso, o filme não funcionaria, de um modo prático. Porém, o que Cameron falta na escrita, ele se segura na direção. 

A questão é: por quanto tempo o público será benevolente às falhas da franquia? Ou será que o público vai continuar a abraçar os filmes de Avatar como parte de seu ópio? Afinal, o mundo de Pandora, principalmente em 3D e numa tela grande como a da sala IMAX (o que faz uma grande diferença na experiência cinematográfica), é imersivo e salta aos olhos, o ritmo é agradável, e o ingresso de cinema, mesmo que custando caro, se torna mais em conta do que um ingresso de um mega parque de diversão. Ou será que Cameron agrada o olhar corporativo para tornar seu grande épico em pacto faustiano, em que para receber o ópio, precisamos deglutir um pão amanhecido e já sem o sabor de outrora?  

Avatar, para indústria hollywoodiana, é vista muito mais como um investimento do que uma obra de arte, e, por sinal, seu valor de custo é altíssimo. É bem certo a sensação de que a segunda e a terceira parte deveriam ser uma única obra, mas que foi dividida ao meio como longas interdependentes entre si. Para ter resultados de bilheteria mais uniformes, repete-se uma fórmula quantas vezes for preciso. E assim será o ritmo da dança. O que diferencia esta franquia do que outras, como a da Marvel por exemplo, que há alguém que entende de cinema e que põe anos de dedicação a estória que deseja contar. Por isso, Avatar é uma franquia de espetáculos, um tanto previsível, porém com um coração que, entre erros e acertos, ousa voar até ultrapassar o limite do que consegue abocanhar. E, com este novo filme, o caso não é diferente. 

Portanto, Fogo e Cinzas, mesmo funcionando dentro de um molde específico, tem espírito de uma era clássica, mas desconfigurada de tal apropriação, um filme instintivo e impulsivo do que metódico e centrado. No entanto, as sombras manipuladas aqui contam uma jornada um pouco mais instigante do que o predecessor de 2022, que troca chavões cafonas por algo algo mais cru e insensato, com personagens cheios de traumas. É uma longa volta, mas no final o nó parece firme o suficiente para aguentar o caminho a frente. Para quem for fã da franquia, a farofada à Na'vi de Cameron ainda tem seu apelo e é tão igualmente deliciosa quanto as anteriores, basta somente apreciar e lamber os beiços.

 Autor:

                                  

Eduardo Cardoso é natural do Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa. Cardoso é graduado em Letras pela Universidade Federal Fluminense e mestre em Estudos de Linguagem na mesma instituição, ao investigar a relação entre a tragédia clássica com a filmografia de Yorgos Lanthimos. Também é escritor, tradutor e realizador queer. Durante a pandemia, trabalhou no projeto pessoal de tradução poética intitulado "Traduzindo Poesia Vozes Queer", com divulgação nas minhas redes sociais. E dirigiu, em 2025, seu primeiro curta-metragem, intitulado "atopos". Além disso, é viciado no letterboxd. 



segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Ne Zha 2: O Renascer Da Alma - Entre a Confusão e o Topo da Bilheteria

Ne Zha 2 | A2 Filmes


Após uma grande catástrofe, as almas de Ne Zha e Ao Bing são salvas, mas seus corpos enfrentam a ruína. Para lhes dar uma nova vida, Taiyi Zhenren recorre à mística lótus de sete cores em uma ousada tentativa de reconstruí-los e mudar seus destinos.

A sequência retoma imediatamente os eventos do primeiro filme, iniciando com a épica batalha entre Ne Zha e Ao Guang, o Rei Dragão do Mar do Leste. Esse começo direto reforça a conexão com o longa anterior e demonstra respeito pela narrativa já estabelecida. Ao continuar exatamente de onde parou, o filme aprofunda o conflito e expande a trama com intensidade e ritmo consistentes, mantendo a tensão e o envolvimento do público. Após os acontecimentos finais do primeiro filme, Ne Zha e Ao Bing restaram apenas como almas.

Ambos tentam recuperar seus corpos, mas apenas Ne Zha tem sucesso. Sem alternativa, Ao Bing é forçado a habitar temporariamente o corpo de Ne Zha. Diante dessa situação, Ao Guang propõe um cessar-fogo: Ne Zha e Ao Bing deverão compartilhar o corpo por sete dias e enfrentar três provações para alcançar a imortalidade. Caso sejam bem-sucedidos, receberão uma poção capaz de restaurar o Lótus Sagrado e criar um novo corpo para Ao Bing — o que levará as forças de Ao Guang a recuarem. Trata-se de uma continuação que respeita o legado do original, mas que também se arrisca a expandir seu universo de forma ambiciosa e satisfatória.

No primeiro filme, Ne Zha era retratado como um encrenqueiro rejeitado por todos da vila, visto com desconfiança por ser um "demônio". Na continuação, embora sua personalidade rebelde e provocadora permaneça, nota-se um sutil amadurecimento do personagem. Ele começa a compreender o valor de ajudar os outros e demonstra, ainda que relutantemente, traços de empatia e responsabilidade. Essa transição, no entanto, é tratada com cuidado pelo roteiro, que evita transformá-lo repentinamente em um herói tradicional. Em vez disso, o filme mantém sua essência desbocada e irreverente — o que, embora possa parecer exagerado em alguns momentos, reforça a coerência com seu arco anterior. Um exemplo emblemático desse contraste ocorre quando Ne Zha e seu mestre, Taiyi, chegam ao sagrado Palácio Yuxu, onde o protagonista enfrentará importantes provações.

Mesmo diante da solenidade do lugar, ele urina em um canto do palácio, evidenciando seu desrespeito pelas convenções e sua tendência a romper com o esperado. Essa cena, embora cômica e propositalmente provocativa, pode dividir opiniões: para alguns, reforça o carisma anárquico do personagem; para outros, pode parecer um exagero que enfraquece a seriedade do momento. Ainda assim, essa abordagem irreverente é parte fundamental da identidade do filme, que opta por equilibrar elementos de comédia e fantasia com uma jornada de crescimento pessoal. Ne Zha continua sendo um anti-herói instável, mas é justamente nesse conflito interno que reside o interesse por sua trajetória.

Diferentemente do filme anterior, que tinha cerca de uma hora e cinquenta minutos, esta sequência é mais longa, com duração de duas horas e vinte e quatro minutos. Embora a extensão maior permita um desenvolvimento mais detalhado da história, em certos momentos o ritmo acaba se tornando arrastado, tornando a experiência um pouco cansativa. Acredito que uma edição mais enxuta teria ajudado a manter o interesse do público ao longo de toda a projeção.

Ne Zha 2: O Renascer Da Alma mantém a essência ousada do primeiro filme, ampliando seu universo com profundidade e respeito à narrativa original. Apesar da duração maior, que por vezes torna o ritmo mais lento, o filme entrega uma história envolvente, equilibrando ação, emoção e fantasia, sendo uma continuação satisfatória para fãs e novos espectadores.

Autor:


Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Ne Zha - Quando o Espírito Demoníaco Resolve Virar Herói (Tipo Naruto, Mas Chinês)

Ne Zha | Trinity CineAsia

A animação lembra o anime Naruto; ambos compartilham uma jornada marcada por rejeição, poder perigoso e busca por aceitação. Ne Zha e Naruto nasceram com um destino temido pelos outros — Ne Zha por carregar um espírito demoníaco e Naruto por abrigar a Raposa de Nove Caudas. Desde cedo, enfrentam preconceito e solidão, desenvolvendo uma personalidade rebelde e determinada. Apesar de serem vistos como ameaças, recusam-se a ser definidos por isso. Com grande poder interior, enfrentam desafios não apenas para provar seu valor, mas para mostrar que podem escolher seu próprio caminho. No fundo, suas histórias falam sobre identidade, superação e a força das escolhas pessoais.

As cenas de ação da animação Ne Zha são visualmente impressionantes e carregadas de energia, prendendo a atenção do espectador do início ao fim. Com uma animação fluida e detalhada, o filme combina artes marciais com magia, criando um espetáculo visual que eleva cada combate a um nível quase mítico. Os movimentos dos personagens são dinâmicos, ágeis e precisos, resultando em coreografias que misturam técnica, criatividade e emoção. Os confrontos são construídos com ritmo e tensão, explorando bem o potencial de cada personagem. A magia é usada de forma inventiva, com ataques que vão além do tradicional, incorporando elementos como fogo, vento, raios e energia espiritual. Esses recursos não só enriquecem as batalhas visualmente, mas também reforçam a natureza caótica e poderosa de Ne Zha, refletindo seu conflito interno e o desequilíbrio entre destino e escolha.

A relação entre Ne Zha e Ao Bing é marcada por contraste, mas também por uma conexão inesperada. Eles vêm de origens muito diferentes e carregam grandes responsabilidades, além de poderes únicos. Ne Zha, nascido com um espírito demoníaco, é visto como uma ameaça; Ao Bing, filho do Rei Dragão, foi criado para restaurar a glória dos clãs dragões, o que o coloca em oposição direta a Ne Zha. Apesar disso, compartilham sentimentos de solidão e o desejo de serem aceitos pelo que realmente são, não pelo que o mundo espera deles. Ao longo da história, os dois desenvolvem uma relação que transita entre rivalidade e empatia. Suas interações são profundas e refletem temas como destino, identidade e liberdade de escolha. Essa dinâmica entre os dois personagens adiciona emoção e complexidade à narrativa, tornando suas jornadas ainda mais impactantes.

Ne Zha é uma animação poderosa que combina espetáculo visual com uma narrativa profunda e emocional, capaz de tocar públicos de todas as idades. A produção se destaca não apenas pela qualidade técnica — com cenários vibrantes, movimentos fluidos e efeitos visuais impressionantes —, mas também pela forma como constrói uma história rica em simbolismos e emoção. Com personagens cativantes e bem desenvolvidos, o filme apresenta conflitos que vão além do físico, mergulhando nas dores e dilemas internos de seus protagonistas. As cenas de ação refletem as emoções e transformações dos personagens, abordando temas como rejeição, identidade e superação de forma sensível e profunda. A história vai além do mito, mostrando a jornada de Ne Zha para desafiar seu destino e as expectativas, transmitindo uma mensagem inspiradora sobre amadurecimento, liberdade de escolha e coragem para assumir o próprio caminho.

Autor:


Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Como Treinar o Seu Dragão (2025) - DreamWorks entra na onda do live-action com um ‘copia e cola’ caprichado

Como Treinar o Seu Dragão | DreamWorks


Na acidentada ilha de Berk, um garoto viking chamado Soluço desafia séculos de tradição ao se tornar amigo de um dragão chamado Banguela. No entanto, quando surge uma ameaça ancestral que coloca ambas as espécies em perigo, a amizade de Soluço com Banguela se torna a chave para forjar um novo futuro. Juntos, eles devem navegar pelo delicado caminho rumo à paz, alçando voo além das fronteiras de seus mundos e redefinindo o que significa ser um herói e um líder.

Este é o primeiro live-action da DreamWorks Animation, e sinceramente, não consigo imaginar o estúdio fazendo versões em carne e osso de outras de suas animações. Seria estranho ver uma adaptação de Madagascar, por exemplo. Por outro lado, uma versão live-action de O Caminho para El Dorado seria simplesmente perfeita. Engraçado que, nesse mesmo período, lançaram mais um live-action de uma obra criada pelo Chris Sanders — a outra sendo Lilo & Stitch. Se eu ganhasse um real toda vez que isso acontece, não é muito, mas é cômico que, no mesmo período, tivemos dois! Faz sentido ter uma versão live-action de Como Treinar o Seu Dragão pelo estilo visual relativamente realista e pelo fato de ser protagonizado por humanos. Embora os dragões sejam parte essencial da história, eles podem ser perfeitamente recriados graças ao avançado CGI. Além disso, vendo o sucesso que sua concorrente está fazendo ao transformar suas animações em versões live-action, a DreamWorks não perdeu tempo e apostou em uma adaptação de um dos seus ovos de ouro.


O filme é praticamente uma cópia fiel da animação original, mantendo a mesma história central com poucas alterações nos detalhes. Essas mudanças, embora sutis, tentam dar uma nova cara à narrativa, mas não chegam a transformar a essência da trama. Por exemplo, numa cena importante em que Astrid descobre o segredo de Soluço — que ele está escondendo um dragão — há uma pequena diferença entre as versões. Na animação, Banguela prende Astrid a uma árvore, criando um momento de tensão e humor característicos. Já no live-action, essa mesma cena acontece num penhasco, o que muda um pouco a dinâmica, dando um tom mais dramático e perigoso à situação. São essas pequenas alterações que tentam diferenciar o filme, mas que no geral não escapam do tradicional “copia e cola” da obra original. Mas isso não quer dizer que o filme seja ruim — muito pelo contrário. Mesmo sendo uma reedição do que já vimos na animação de 2010, isso não impediu que eu gostasse da adaptação. Diferente do Rei Leão (2019), que me pareceu um filme sem alma, uma mera cópia e cola, onde os animais, apesar do visual impressionante, não tinham expressões faciais que transmitissem emoções de verdade.


A história comove ao retratar de forma sensível o vínculo que se desenvolve entre Soluço e Banguela. No começo, Soluço é guiado pelo medo e pelos preconceitos enraizados em sua sociedade, mas aos poucos percebe que o dragão não representa perigo — pelo contrário, é uma criatura com sentimentos, tão sensível e solidária quanto qualquer ser humano. Essa mudança representa o crescimento do personagem principal e traz uma crítica sutil à intolerância e à violência sem razão. Ao mostrar o "inimigo" de forma mais humana, o filme provoca uma reflexão sobre o verdadeiro significado de coragem, força e convivência, revelando uma profundidade que vai além da superfície da narrativa.

 

O CGI dos dragões é realmente impressionante. Cada movimento, desde o bater das asas até os pequenos gestos, é cuidadosamente trabalhado para transmitir uma sensação incrível de realismo e personalidade. As texturas das escamas, o brilho nos olhos e as expressões faciais são tão detalhadas que os dragões parecem criaturas verdadeiras, com emoções palpáveis. Banguela, em especial, ganha vida de forma tão convincente que é fácil esquecer que ele é totalmente digital — ele demonstra uma gama completa de sentimentos, desde a travessura até momentos de ternura, trazendo para a tela toda a emoção e carisma que a animação já havia conquistado. Essa qualidade técnica não só impressiona visualmente, mas também fortalece a conexão do público com a história, tornando a experiência muito mais envolvente e memorável.


A essência dos personagens humanos da animação também está muito bem preservada no live-action. Os protagonistas mantêm suas características e personalidades marcantes, o que é fundamental para preservar a conexão emocional que o público já estabeleceu com a história. Mesmo com a transição para atores reais, as nuances de cada personagem são cuidadosamente mantidas — desde as inseguranças e dúvidas de Soluço até a coragem e determinação de Astrid. A química entre o elenco é evidente, trazendo autenticidade às relações que já conhecemos e amamos. Além disso, as motivações e conflitos internos permanecem fiéis ao original, garantindo que a alma da narrativa não se perca na adaptação. Essa fidelidade ajuda a criar uma ponte entre fãs antigos e novos espectadores, fazendo com que a experiência seja genuinamente envolvente para todos.


Como Treinar o Seu Dragão em live-action é uma adaptação que honra a essência da animação original, trazendo à tela uma história familiar com visuais deslumbrantes e personagens bem interpretados. Embora não se arrisque muito, optando por seguir fielmente o roteiro conhecido, o filme se destaca pelo impressionante trabalho do CGI, especialmente na criação dos dragões, e pela química autêntica entre os atores humanos. Para quem é fã da franquia, é uma experiência que reforça o carinho pelos personagens e seu universo; para novos espectadores, uma porta de entrada visualmente rica e emocionante. Talvez não seja uma revolução no gênero, mas é, sem dúvida, uma homenagem digna e encantadora a um dos grandes sucessos da DreamWorks.


Autor:


Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.

Os Assassinos (1964) - O Parasitismo Capitalista Pintado com Sangue e Luz

  Os Assassinos | Universal Pictures A obra de Don Siegel é um remake do filme de 1946, dirigido por Robert Siodmak e estrelado por Burt Lan...