Mostrando postagens com marcador amazon prime. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amazon prime. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

American Satan - Fama instantânea, consequências ignoradas e muito exagero

American Satan | Miramax


Jovens estadunidenses e ingleses abandonam a universidade e decidem formar uma banda de rock. Eles se mudam para Los Angeles, mais precisamente na famosa Sunset Strip, e tentam a sorte em busca de seus sonhos.

Pela sinopse, você até espera uma história bonitinha sobre amigos lutando por seus sonhos… até perceber que é basicamente uma receita de pacto com o diabo temperada com cabelo bagunçado e guitarras barulhentas. A banda, meio estadunidense, meio britânica, logo descobre que o sucesso tem um preço literal: Satanás em pessoa, aparece como um empresário de rock com poderes sobrenaturais e gosto questionável para sacrifícios humanos. Um minuto você está tentando conseguir um show, no outro já está considerando rituais diabólicos e milagres bizarros. Difícil levar a sério.

O filme também parece acreditar que Satanás secretamente escreveu todas as grandes músicas de todos os tempos e que isso justifica qualquer comportamento absurdo da banda. Entre estereótipos de caipiras que brigam só por causa da aparência e uma moral completamente confusa, fica a sensação de que o roteiro não sabe se quer criticar a indústria musical, se quer fazer sátira ou apenas mostrar jovens desesperados com cabelo bagunçado. No final, o longa deixa mais perguntas do que respostas: ser talentoso ajuda alguma coisa na música? Vender a alma é realmente o caminho mais rápido para o sucesso? ou tudo é só uma desculpa para exageros de rock e sofrimento juvenil? uma coisa é certa: o filme não tem vergonha de mergulhar no absurdo — mas é dificil mergulhar junto sem rir ou suspirar várias vezes.

Em vez de aproveitar para desenvolver uma discussão mais profunda, o filme prefere mostrar que, à medida que a banda conquista fama, alguns fãs começam a imitar os atos mais polêmicos do grupo. Quando o protagonista Johnny acaba matando alguém em legítima defesa, adolescentes que sofrem bullying resolver seguir o exemplo… só que de maneira ainda mais exagerada e violenta. Há até alguns trechos que tentam abordar a violência juvenil e mostram a banda em uma aparição rápida na TV discutindo o assunto. Mas, na prática, o filme parece mais interessado em exibir os músicos se divertindo em boates de strip-tease com decoração satânica do que em realmente explorar o impacto de suas ações.

O filme se destaca por algumas decisões visuais interessantes, especialmente na forma como utiliza a cor para transmitir emoção. A paleta é marcada por tons intensos de vermelho, que aparecem com frequência e conferem à obra uma energia quase pulsante, refletindo tanto a paixão da banda quanto os momentos de tensão que permeiam a história. A câmera também entra no espírito da banda: rápida, inquieta e sempre correndo atrás da ação, como um amigo tentando acompanhar o ritmo de uma festa que já saiu do controle. Nos shows, ele praticamente dança junto com os músicos, captando cada salto, cada nota desafinada e cada fã que perdeu o equilíbrio de tanto pular. O resultado é que o espectador se sente parte do caos — quase como se estivesse tentando segurar um microfone enquanto a banda toca no meio da sala.

American Satan é como um prato que promete alta gastronomia, mas entrega uma mistura de ingredientes exóticos que ninguém pediu: uma pitada de pacto com o diabo, uma colher generosa de boates satânicas, uma fatia de violência exagerada e, para temperar, guitarras barulhentas e cabelo bagunçado. O resultado é estranho, meio indigesto, mas de algum jeito curioso o suficiente para você continuar provando até o final — rindo, suspirando e se perguntando se acabou de assistir a um drama, uma sátira ou uma receita de caos rock’n’roll mal temperada.

Autor:


Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.

Coração de Tinta: O Livro Mágico - Quando ler se torna uma aventura… literal!

Coração de Tinta | PlayArte Pictures


Um homem com habilidade de dar vida a personagens de livros acidentalmente convoca um dos vilões mais perversos da literatura. Agora, ele tem que enviar o vilão de volta para o seu mundo, antes que seja tarde demais!

Mo Folchart e sua filha Maggie, de 12 anos, têm uma forte ligação com os livros e com a leitura, hábito cultivado desde a infância pela influência do pai, que trabalha como encadernador. Mo é um cara tranquilo e de boa com a vida, além de ser um pai muito dedicado, sempre disposto a fazer o que for necessário para proteger a família. Sua postura cuidadosa e responsável não só mostra o quanto ele valoriza quem ama, mas também reforça a credibilidade do personagem como um herói cotidiano, cuja coragem se manifesta de forma prática e emocional.

Maggie é uma menina inteligente, curiosa e com grande imaginação, que sonha em se tornar escritora no futuro. Apesar de às vezes se frustrar por não conseguir escrever como gostaria, isso revela não apenas senso crítico, mas também disciplina e desejo genuíno de aprimoramento, qualidades que a tornam uma personagem admirável e inspiradora. Em alguns momentos, ela pode ser teimosa, mas essa característica também revela coragem, iniciativa e determinação, como quando questiona decisões do pai diante de situações difíceis. A relação entre pai e filha não apenas traz emoção genuína e conexões humanas autênticas, mas também fortalece o núcleo emocional do filme, tornando-o mais envolvente e significativo para o público

A história se destaca por misturar fantasia e literatura de forma instigante, transformando a leitura em algo mais do que um simples passatempo: ela se apresenta como uma força viva. O enredo prende o espectador ao criar um universo em que os livros funcionam como portais, conectando realidade e imaginação de forma fluida e criativa. Cada ação dos personagens dentro desse universo tem repercussões inesperadas, reforçando a ideia de que palavras e histórias carregam peso e poder. Além disso, a trama explora o impacto emocional das narrativas, mostrando como a paixão pelos livros pode moldar relações, decisões e até destinos, tornando a história envolvente pela dimensão afetiva que transmite. Ao mesmo tempo, a maneira como filme combina aventura e elementos literários evidencia um cuidado narrativo que valoriza tanto o ritmo da história quanto a profundidade temática, destacando-se como uma obra que consegue entreter e provocar reflexão sobre o papel da leitura na vida das pessoas.

O filme se destaca por suas referências literárias, tornando a história um verdadeiro tributo aos clássicos. São citadas ou mostradas obras como Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho, Lewis Caroll, contos dos Irmãos Grimm como Chapeuzinho Vermelho e João e Maria, além de clássicos como O Jardim Secreto, Heidi e Beleza Negra.Também aparecem autores renomados com Charles Dickens, com Um Conto de Natal e Barnaby Rudge, Oscar Wilde (O retrato de Dorian Gray), Robert Louis Stevenson (A Ilha do Tesouro) e Mark Twain (As aventuras de Huckleberry Finn), além de contos como Cinderela, Rapunzel e Ali Babá e os Quarenta Ladrões. Essas referências, muitas vezes mostradas fisicamente ou citadas em diálogos, não apenas enriquecem a ambientação do filme, mas também demonstram um cuidado narrativo que valoriza a cultura literária e incentiva o público a explorar essas obras. Ao integrar clássicos de forma orgânica à trama, o filme reforça seu tema central — o poder dos livros e da imaginação de transformar a realidade —, ao mesmo tempo em que oferece uma experiência educativa e estimulante, mostrando como uma literatura pode dialogar com a fantasia e com a vida cotidiana de forma significativa.

Coração de Tinta: O Livro Mágico consegue unir aventura, emoção e literatura de maneira envolvente, criando um mundo onde a imaginação ganha vida e cada livro se torna uma ponte entre realidade e fantasia. A combinação de personagens cativantes, uma relação familiar genuína e referências literárias clássicas transforma a história em uma celebração do poder das palavras e da leitura, mostrando que os livros têm a capacidade de inspirar, desafiar e transformar quem os lê. É uma narrativa que encanta tanto pela ação e aventura quanto pela riqueza afetiva e cultural que oferece, deixando uma mensagem duradoura sobre coragem, criatividade e o amor pelos livros.

Autor:


Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.


Por Água Abaixo - Quando a descarga vira lição de vida

Por Água Abaixo | DreamWorks


Roddy é um ratinho acostumado a um bairro luxuoso de Londres. Sem querer, ele dá uma descarga infeliz e acaba nos esgotos, onde terá de aprender a viver de uma forma completamente diferente.

Roddy representa o estereótipo do rico herdeiro que sempre viveu em sua própria “bolha”, que seria a sua gaiola. Sua jornada gira em torno do confronto com a realidade do seu próprio povo. Antes de cair na privada, ele vivia isolado, interagindo apenas com bonecos, o que evidencia sua solidão e alienação. Embora soubesse da existência do esgoto, enxergava-o como um lugar sujo via as coisas como um ser humano sempre viu, que o esgoto era um lugar sujo e inferior. No entanto, ao conhecê-lo, percebe que, apesar das condições precárias, existe ali uma sociedade organizada, na qual os ratos trabalham e se ajudam mutuamente. A principal diferença entre eles está no privilégio: Roddy sempre teve conforto e proteção, enquanto os demais precisaram sobreviver com muito menos. Do ponto de vista do protagonista, ser animal de estimação de humanos era visto como um luxo.

Ao longo da aventura, o protagonista conhece uma rata catadora de lixo, filha mais velha de uma numerosa família. Trabalhadora e determinada, ela assume responsabilidades que vão além da própria idade, buscando no lixo recursos para garantir a sobrevivência de todos. Sua postura evidencia não apenas a desigualdade social presente na obra, mas também ressalta valores como solidariedade, esforço e resiliência. Diferentemente de Roddy, que sempre viveu cercado de conforto, ela representa a força daqueles que, mesmo diante das dificuldades, mantêm a dignidade e o compromisso com quem amam.

A obra evidencia a desigualdade social ao representar a classe mais pobre por meio dos ratos que vivem no esgoto, enquanto a classe mais rica é simbolizada pela vida confortável de Roddy. Na realidade, observa-se que indivíduos pertencentes às classes mais altas frequentemente demonstram preconceito em relação às pessoas de baixa renda, tratando-as como inferiores. Essa desigualdade social pressupõe a inferiorização das camadas menos favorecidas e reflete valores de grupos privilegiados, gerando atitudes excludentes. Isso se manifesta tanto no preconceito de Roddy em relação aos ratos do esgoto quanto na forma como eles também o enxergam.

O estúdio responsável pela animação, a Aardman Animations, costuma produzir filmes utilizando a técnica de Stop Motion, que consiste na animação quadro a quadro. Essa técnica cria a ilusão de movimento por meio da manipulação física de objetos, como massinhas ou bonecos, fotografando a cada pequena mudança de posição. Entre outras produções do estúdio estão Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais e A Fuga das Galinhas. Apesar de Por Água Abaixo apresentar o mesmo estilo visual dessas animações, ele não foi produzido em Stop Motion. A presença constante de água tornaria a técnica extremamente complexa e difícil de executar. Por isso, optou-se pela animação em 3D tradicional,preservando a identidade visual que é marca registrada do estúdio. Dessa forma, a escolha demonstra que é possível inovar tecnicamente sem perder a essência artística.

Por Água Abaixo vai muito além de uma simples animação sobre ratos aventureiros. O filme utiliza humor e fantasia para abordar temas sérios, como desigualdade social, preconceito e privilégios, mostrando que a verdadeira mudança acontece quando saímos da nossa própria “bolha”. Ao acompanhar a jornada de Roddy, o público percebe que, às vezes, é preciso literalmente “descer pelo ralo” para enxergar o mundo com outros olhos. No fim das contas, entre esgotos e mansões, a maior lição é que valor não está no lugar onde se vive, mas na forma como se vive.

Autor:


Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.

Justiça Artificial - O dia em que terceirizamos a ética para um algoritmo

Justiça Artificial | Amazon Prime


Em um futuro próximo, um detetive (Chris Pratt) está sendo julgado, acusado de assassinar sua esposa. Ele tem 90 minutos para provar sua inocência à avançada justiça de Inteligência Artificial (Rebecca Ferguson) que ele mesmo ajudou a implementar, antes que ela determine seu destino.

A maior parte do filme se concentra na interação entre o protagonista Chris — personagem que, de forma interessante, compartilha o mesmo nome do ator que o interpreta — e a juíza Maddox. Abalado pelos acontecimentos recentes, Chris demonstra confusão e fragilidade emocional, sem conseguir compreender plenamente o que está acontecendo ao seu redor. Durante o diálogo entre os dois, são exibidas gravações do próprio protagonista, incluindo uma briga de bar da qual ele não se lembrava ter participado, além de registros de algumas de suas operações como detetive. Esse recurso narrativo fortalece o impacto psicológico da trama, aprofundando o conflito interno do personagem e instigando o espectador a questionar a confiabilidade de sua memória e identidade.

Sobre os vídeos no meio dos diálogos, interage com a estética do Found Footage ao construir sua narrativa por meio de câmeras corporais, recurso que confere maior proximidade e imersão à história. Essas câmeras não apenas funcionam como ferramentas de registro, mas também preservam a mesma sensação de imediatismo e realismo típica desse estilo, fazendo com que o espectador se sinta parte dos acontecimentos. Ao adotar esse ponto de vista, a obra intensifica a experiência sensorial e emocional, reforçando a tensão e a subjetividade do protagonista, além de contribuir para uma narrativa mais envolvente e verossímil.

Ao ampliar o escopo de seu mistério para além da pergunta do responsável pela morte da vítima, a produção se distancia das convenções mais tradicionais desse gênero e permite explorar camadas mais profundas do crime. Em vez de se limitar à resolução do enigma, a narrativa volta seu olhar para as motivações que impulsionam as ações dos personagens, relacionando-as diretamente ao contexto sociocultural em que estão inseridos. Esse deslocamento de foco faz com que a obra saia de sua própria zona de conforto, apostando em uma abordagem mais reflexiva e humana, na qual o crime deixa de ser apenas um evento isolado e passa a ser compreendido como resultado de tensões sociais, psicológicas e morais mais amplas. Dessa forma, o filme constrói um suspense que não se sustenta apenas na revelação final, mas no processo de investigação interna e coletiva que se desenrola ao longo da narrativa.

O filme propõe uma reflexão pertinente sobre o poder crescente da inteligência artificial e seus impactos éticos e sociais. Embora dialogue com um discurso contemporâneo que reconhece os riscos da IA nem sempre avança para a ação, a obra expõe a tensão entre consciência crítica e inércia prática. Ao mostrar como decisões complexas passam a ser delegadas a sistemas automatizados, O filme confronta o espectador com a erosão da responsabilidade humana e com a transferência deliberada da autonomia moral para sistemas tecnológicos que operam sem possibilidade de contestação efetiva. A inteligência artificial é apresentada como um agente institucional de poder que, embora não personificado como vilão, exerce controle direto sobre a vida dos indivíduos ao operar decisões irreversíveis sob a aparência de racionalidade. Ao assumir o papel de árbitra das decisões humanas, a inteligência artificial não apenas incorpora valores e vieses sociais, mas os consolida e legitima por meio de um sistema que transforma desigualdades históricas em sentenças automatizadas.

Justiça Artificial se destaca ao articular suspense, drama psicológico e reflexão social, utilizando a ficção científica como ferramenta para questionar dilemas contemporâneos. Ao deslocar o foco da simples resolução do crime para as motivações humanas e para o impacto das estruturas tecnológicas sobre a vida social, a narrativa constrói uma experiência envolvente e provocadora. O embate entre o protagonista e o sistema de inteligência artificial evidencia a assimetria de poder entre o indivíduo e uma estrutura tecnológica que se apresenta como infalível. expõe como a automação da justiça compromete a memória, fragmenta a identidade do sujeito e reduz a noção de justiça a um cálculo técnico desprovido de responsabilidade ética. Assim, a obra expõe os riscos de um modelo de sociedade que abdica do julgamento humano em favor de sistemas automatizados, revelando que a transferência da decisão não elimina a culpa, apenas a oculta sob a lógica do algoritmo.

Autor:


Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.

segunda-feira, 17 de março de 2025

Two Lovers - A face não dita do amor

Two Lovers | Magnolia Pictures


Daqueles filmes que abrem portas para tantos debates pessoais, de forma que falar sobre qualquer um deles soa como diminuição da grande magnitude humana que exala esse filme. De qualquer forma, ainda assim, perante toda a minha incapacidade, quero escrever algo sobre ele, mesmo que insuficiente.

O mundo perfeitamente imperfeito de Gray, que escolhe filmar o amor, mas não o amor romântico, o realista. O amor que não se escolhe, se sente, e é aí que o personagem interpretado por Joaquin Phoenix se encontra, nessa face dolorida do amor, onde as emoções são mais complexas e as incertezas são maiores que as certezas.

Talvez o que mais me chame a atenção seja como Gray trabalha os espaços, a interação entre enquadramento e pessoa. Essa interação mostra-se evidente na forma como os porta-retratos oprimem o ambiente, especialmente quando Leonard está com uma de suas “amantes”, como se, embora fora do plano material, a família ainda tivesse influência na vida de Leonard.

A depressão entra como fator narrativo, pois o próprio personagem não poderia conceber aquela felicidade para si mesmo. Ou seja, a tragédia é premeditada a todo momento, e cada caminho que Leonard trilha o leva àquele final tão triste. Arriscaria dizer que é um dos mais tristes que já vi. Ele agora não só perdeu sua forma de desfrutar das novas possibilidades mundanas, mas terá de ficar preso naquele mesmo ambiente opressivo.

O grande olhar familiar que cerca Leonard se forma quase fantasmagórico, reprimindo-o de forma tão severa que suas próprias escolhas se tornam dúvidas, ou até mesmo na forma como lhe é imposto que deveria ficar com Sarah, para o bem da família e, óbvio, do capital. Mas então, o que escolher? O bem-estar do capital familiar ou o novo, o rebelde? Rebelde no sentido mais juvenil possível, já que, a partir das ações parentais, nota-se que a visão infantil é gritante. Mas o questionamento que fica é o de Amor X Capitalismo: é realmente possível amar numa sociedade capitalista, onde os bens materiais valem muito mais que o puro, o inviolável?

Autor:


Me chamo Gabriel Zagallo, tenho 18 anos, atualmente estou cursando o 3º ano do ensino médio e tenho o sonho de me tornar jornalista, sou apaixonado por cinema e desejo me especializar nisso. Meus filmes favoritos são Stalker, Johnny Guitar, Paixão e Rio, 40 graus.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Mar em Chamas – Uma Catástrofe Prenunciada

Mar em Chamas | Magnolia Pictures
 

Até onde vai a ambição do ser humano?


Em uma estação de inteligência numa plataforma de petróleo norueguesa, é verificado um acidente em uma das usinas de perfuração petrolífera e de gás Ekofisk. Após isso, a comandante de submarino e controladora de robôs subaquáticos, Sofia, é acionada para investigar a unidade e identificar as possíveis causas do desastre. Quando Sofia começa a buscar, por meio de sua máquina, as causas para o ocorrido, acaba descobrindo muito mais do que imaginava.

Do mesmo diretor de “Terremoto”, John Andreas Andersen nos traz desta vez para um universo em alto mar. Em uma empresa bilionária que explora combustíveis fósseis próximo à costa da Noruega. É notório o vislumbre que temos sobre o incontrolável poder de pessoas que buscam, cada vez mais, concentrar riquezas em detrimento da expropriação da natureza. O filme traz essa problemática sobre a extração de petróleo e as consequências devastadoras que esse modelo produtivo pode acarretar. Essas discussões já são realidades visíveis em vários países, inclusive no Brasil.

O longa consegue criar um suspense envolvente logo no início, atraindo a atenção do espectador com sua trama misteriosa. Quando Sofia é chamada para investigar um acidente em uma estação de petróleo, a história se desenrola com uma série de surpresas e cenas de ação bem executadas. No entanto, o que parecia ser um simples acidente revela-se apenas a ponta do iceberg de um problema muito maior. Não obstante, outro desastre ocorre em uma estação onde seu namorado trabalha. Sofia, então se vê em uma missão quase impossível: resgatar seu amado e descobrir se o mesmo sobreviveu. A empresa à qual eles estão vinculados se mostra completamente negligente e apática à situação, o que evidencia a indiferença que muitas vezes as corporações possuem em relação às vidas humanas.

A trama faz uma crítica nítida às grandes organizações e à exploração irresponsável dos recursos naturais, destacando os riscos que esses incidentes podem trazer para a população e o meio ambiente. À medida que a situação se agrava na película, a empresa e o governo tentam implementar soluções corretivas, mas em algum nível motivadas por interesses financeiros, e nem sempre priorizando a segurança das pessoas e o meio ambiente. Essa abordagem é claramente refletida na jornada de Sofia e seu amigo, que, embora inicialmente abandonados pela companhia, se lançam em busca de respostas e meios para salvar o amor da protagonista, questionando as prioridades dessas corporações.

No entanto, o longa metragem peca por não conseguir estabelecer uma conexão emocional com os protagonistas, o que prejudicou minha imersão ao enredo do filme. Apesar de boas cenas de efeitos especiais, o ritmo da história não é suficiente para gerar a tensão necessária, e as dificuldades enfrentadas por Sofia e seu amigo não parecem realmente desafiadoras, apresentando soluções um tanto óbvias. Isso impede que o filme crie a urgência e a empatia necessárias para um impacto emocional mais profundo. Mesmo assim, a obra cumpre sua função ao alertar sobre os impactos negativos das atividades petrolíferas em larga escala, evidenciando como a exploração de combustíveis fósseis pode representar uma ameaça crescente aos ecossistemas e à nossa realidade atual.

Autor:


Meu chamo Leonardo Veloso, sou formado em Administração, mas tenho paixão pelo cinema, a música e o audiovisual. Amante de filmes coming-of-age e distopias. Nas horas vagas sou tecladista. Me dedico à exploração de novas formas de expressão artística. Espero um dia transformar essa paixão em carreira, sempre buscando me aperfeiçoar em diferentes campos criativos.

terça-feira, 29 de outubro de 2024

Anatomia de uma Queda - A História de um Homem que Cai

Anatomia de uma Queda | Le Pacte

Afinal, Sandra é culpada? Foi acidente? Nesse caso, pouco importa!

Tudo em Anatomia de uma queda cai. A bolinha, no início, descendo escada abaixo indicando que a relação do casal que há muito caiu. A relação pais e filhos segue caindo. As expectativas do início já estão no abismo desde o dia 1. O julgamento, teatral e terrivelmente feroz para a mulher, tudo em queda.

Anatomia de uma queda conta a história de um casal com um filho e um cachorro. O filme parece ter invertido os papéis, assim como em Cenas de um casamento de 2021. Sandra, não esbanja feminilidade, é prática, objetiva, trabalha fora, escritora de sucesso. Samuel, quase invisível, faz o papel do que a sociedade considera feminino. Do lar, cuida do filho, do cachorro e da casa, usa pano de prato no ombro, não se acha na carreira de escritor. À sombra de Sandra, amarga dentro de casa, segundo ele, sobrecarregado, sozinho, como o lagosta sem par.

O ressentimento era tempero constante na relação deles. A cena inicial já deixa claro isso: ela tentando conceder uma entrevista na sala, enquanto o som dele, em volume máximo, repetido e irritante, descia do andar de cima atrapalhando o andamento daquela conversa – que também caiu, não vingou. A criança, o filho, Daniel, possui deficiência visual em decorrência de um acidente acontecido outrora e que, como muitas outras coisas, não fica claro de quem foi a culpa! Daniel decide assistir ao julgamento e ali, sim ali, no meio do “teatro” fica conhecendo a ponta do iceberg do que são seus pais. Afinal, que criança sabe verdadeiramente quem são seus pais?

Durante o julgamento, para elucidação do ocorrido, o filme abusa de cenas de discussões anteriores ao fatídico dia. Durante dias e sessões exaustivas, a sexualidade, o amor, a bondade, a devoção, a lealdade, o caráter de Sandra são expostos à prova o tempo inteiro.

Em dado momento, a acusação expõe o áudio de uma discussão entre o casal. Discussão calorosa que quem escuta com um “ouvido de Samuel”, encontra um homem triste, traído, injustiçado. Quem escuta com um “ouvido de Sandra”, encontra um homem covarde e uma mulher que fez da vida o que achava que devia ter feito. Na discussão, ele, histérico, culpa Sandra pelo acidente do filho além de alegar que nunca chegou aonde queria porque ela roubou a vida dele e a ideia do seu livro. Ela, calma, claro!, diz que ele não fez o que quis porque não teve coragem. Não só não bancou o próprio desejo, como ainda imputou culpa a terceiro.

Antes do veredito, Daniel informa que vai depor. O julgamento é adiado para o dia seguinte e, em casa, Daniel pede para ficar apenas com a tutora designada pelo juízo. Em um determinado passeio frio, conversando, Daniel pergunta à tutora como se toma uma decisão difícil. Ela não sabe, mas supõe que às vezes é uma questão de escolha. Pronto! Ali estava desenhado o filme. Cortando para Daniel tocando no piano a mesma música que tocava junto com Sandra no início do filme. Ele escolheu! Fez o que foi possível.

Fim de julgamento! Sandra inocentada, comemora com os advogados sua liberdade ao mesmo tempo em que chora por ter sido nessas circunstâncias. Vai para casa. Sobe ao quarto do filho. Ele dorme! Antes que ela se retire, ele a chama. Eles se abraçam. Um ato de cumplicidade? Um conforto de terem um ao outro? Jamais saberemos. Ato final, no escritório, Sandra, deitada, abraça o cachorro. Toca a mesma música que mãe e filho costumavam tocar juntos, em par.

Assassinato? Suicídio? Acidente? Nesse caso, de novo, pouco importa! Anatomia de uma queda, parafraseando a psicanalista Maria Homem, é sobre um homem que cai, mas também, ouso dizer, sobre escolher o que se aguenta sustentar.

Autora:


Lá em 2004 participei do meu primeiro filme. Ali apaixonei pelo cinema, mas como toda boa paixão, à la Jack e Rose, naufragou. A vida toma rumos e acabei seguindo outra área. Mas nada apaga uma boa paixão, né isso? Me chamo Carol Sousa e hoje falo e escrevo sobre cinema, quem sabe isso quer dizer amor...

O Testamento de Ann Lee (2025) é o Berghain de Mona Fastvold

  O Testamento de Ann Lee (2025) | Searchlight Pictures Em "Berghain", single do álbum Lux, a cantora Rosalía canta, em uma mistur...