Autor:
Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.
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Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.
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Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.
Roddy é um ratinho acostumado a um bairro luxuoso de Londres. Sem querer, ele dá uma descarga infeliz e acaba nos esgotos, onde terá de aprender a viver de uma forma completamente diferente.
Roddy representa o estereótipo do rico herdeiro que sempre viveu em sua própria “bolha”, que seria a sua gaiola. Sua jornada gira em torno do confronto com a realidade do seu próprio povo. Antes de cair na privada, ele vivia isolado, interagindo apenas com bonecos, o que evidencia sua solidão e alienação. Embora soubesse da existência do esgoto, enxergava-o como um lugar sujo via as coisas como um ser humano sempre viu, que o esgoto era um lugar sujo e inferior. No entanto, ao conhecê-lo, percebe que, apesar das condições precárias, existe ali uma sociedade organizada, na qual os ratos trabalham e se ajudam mutuamente. A principal diferença entre eles está no privilégio: Roddy sempre teve conforto e proteção, enquanto os demais precisaram sobreviver com muito menos. Do ponto de vista do protagonista, ser animal de estimação de humanos era visto como um luxo.
Ao longo da aventura, o protagonista conhece uma rata catadora de lixo, filha mais velha de uma numerosa família. Trabalhadora e determinada, ela assume responsabilidades que vão além da própria idade, buscando no lixo recursos para garantir a sobrevivência de todos. Sua postura evidencia não apenas a desigualdade social presente na obra, mas também ressalta valores como solidariedade, esforço e resiliência. Diferentemente de Roddy, que sempre viveu cercado de conforto, ela representa a força daqueles que, mesmo diante das dificuldades, mantêm a dignidade e o compromisso com quem amam.
A obra evidencia a desigualdade social ao representar a classe mais pobre por meio dos ratos que vivem no esgoto, enquanto a classe mais rica é simbolizada pela vida confortável de Roddy. Na realidade, observa-se que indivíduos pertencentes às classes mais altas frequentemente demonstram preconceito em relação às pessoas de baixa renda, tratando-as como inferiores. Essa desigualdade social pressupõe a inferiorização das camadas menos favorecidas e reflete valores de grupos privilegiados, gerando atitudes excludentes. Isso se manifesta tanto no preconceito de Roddy em relação aos ratos do esgoto quanto na forma como eles também o enxergam.
O estúdio responsável pela animação, a Aardman Animations, costuma produzir filmes utilizando a técnica de Stop Motion, que consiste na animação quadro a quadro. Essa técnica cria a ilusão de movimento por meio da manipulação física de objetos, como massinhas ou bonecos, fotografando a cada pequena mudança de posição. Entre outras produções do estúdio estão Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais e A Fuga das Galinhas. Apesar de Por Água Abaixo apresentar o mesmo estilo visual dessas animações, ele não foi produzido em Stop Motion. A presença constante de água tornaria a técnica extremamente complexa e difícil de executar. Por isso, optou-se pela animação em 3D tradicional,preservando a identidade visual que é marca registrada do estúdio. Dessa forma, a escolha demonstra que é possível inovar tecnicamente sem perder a essência artística.
Por Água Abaixo vai muito além de uma simples animação sobre ratos aventureiros. O filme utiliza humor e fantasia para abordar temas sérios, como desigualdade social, preconceito e privilégios, mostrando que a verdadeira mudança acontece quando saímos da nossa própria “bolha”. Ao acompanhar a jornada de Roddy, o público percebe que, às vezes, é preciso literalmente “descer pelo ralo” para enxergar o mundo com outros olhos. No fim das contas, entre esgotos e mansões, a maior lição é que valor não está no lugar onde se vive, mas na forma como se vive.
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Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.
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| Justiça Artificial | Amazon Prime |
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Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.
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| Two Lovers | Magnolia Pictures |
Daqueles filmes que abrem portas para tantos debates pessoais, de forma que falar sobre qualquer um deles soa como diminuição da grande magnitude humana que exala esse filme. De qualquer forma, ainda assim, perante toda a minha incapacidade, quero escrever algo sobre ele, mesmo que insuficiente.
O mundo perfeitamente imperfeito de Gray, que escolhe filmar o amor, mas não o amor romântico, o realista. O amor que não se escolhe, se sente, e é aí que o personagem interpretado por Joaquin Phoenix se encontra, nessa face dolorida do amor, onde as emoções são mais complexas e as incertezas são maiores que as certezas.
Talvez o que mais me chame a atenção seja como Gray trabalha os espaços, a interação entre enquadramento e pessoa. Essa interação mostra-se evidente na forma como os porta-retratos oprimem o ambiente, especialmente quando Leonard está com uma de suas “amantes”, como se, embora fora do plano material, a família ainda tivesse influência na vida de Leonard.
A depressão entra como fator narrativo, pois o próprio personagem não poderia conceber aquela felicidade para si mesmo. Ou seja, a tragédia é premeditada a todo momento, e cada caminho que Leonard trilha o leva àquele final tão triste. Arriscaria dizer que é um dos mais tristes que já vi. Ele agora não só perdeu sua forma de desfrutar das novas possibilidades mundanas, mas terá de ficar preso naquele mesmo ambiente opressivo.
O grande olhar familiar que cerca Leonard se forma quase fantasmagórico, reprimindo-o de forma tão severa que suas próprias escolhas se tornam dúvidas, ou até mesmo na forma como lhe é imposto que deveria ficar com Sarah, para o bem da família e, óbvio, do capital. Mas então, o que escolher? O bem-estar do capital familiar ou o novo, o rebelde? Rebelde no sentido mais juvenil possível, já que, a partir das ações parentais, nota-se que a visão infantil é gritante. Mas o questionamento que fica é o de Amor X Capitalismo: é realmente possível amar numa sociedade capitalista, onde os bens materiais valem muito mais que o puro, o inviolável?
Autor:
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| Mar em Chamas | Magnolia Pictures |
Até onde vai a ambição do ser humano?
Em uma estação de inteligência numa plataforma de petróleo norueguesa, é
verificado um acidente em uma das usinas de perfuração petrolífera e de gás
Ekofisk. Após isso, a comandante de submarino e controladora de robôs subaquáticos, Sofia, é acionada para investigar a unidade e identificar as
possíveis causas do desastre. Quando Sofia começa a buscar, por meio de sua
máquina, as causas para o ocorrido, acaba descobrindo muito mais do que
imaginava.
Do mesmo diretor de “Terremoto”, John
Andreas Andersen nos traz desta vez para um universo em alto mar. Em uma
empresa bilionária que explora combustíveis fósseis próximo à costa da Noruega. É notório o vislumbre que temos sobre o incontrolável poder de pessoas que
buscam, cada vez mais, concentrar riquezas em detrimento da expropriação da
natureza. O filme traz essa problemática sobre a extração de petróleo e as
consequências devastadoras que esse modelo produtivo pode acarretar. Essas
discussões já são realidades visíveis em vários países, inclusive no Brasil.
O longa consegue criar um suspense
envolvente logo no início, atraindo a atenção do espectador com sua trama
misteriosa. Quando Sofia é chamada para investigar um acidente em uma estação
de petróleo, a história se desenrola com uma série de surpresas e cenas de ação
bem executadas. No entanto, o que parecia ser um simples acidente revela-se
apenas a ponta do iceberg de um problema muito maior. Não obstante, outro
desastre ocorre em uma estação onde seu namorado trabalha. Sofia, então se vê em
uma missão quase impossível: resgatar seu amado e descobrir se o mesmo
sobreviveu. A empresa à qual eles estão vinculados se mostra completamente
negligente e apática à situação, o que evidencia a indiferença que muitas vezes
as corporações possuem em relação às vidas humanas.
A trama faz uma crítica nítida às
grandes organizações e à exploração irresponsável dos recursos naturais,
destacando os riscos que esses incidentes podem trazer para a população e o
meio ambiente. À medida que a situação se agrava na película, a empresa e o governo tentam
implementar soluções corretivas, mas em algum nível motivadas por interesses
financeiros, e nem sempre priorizando a segurança das pessoas e o meio ambiente. Essa abordagem é
claramente refletida na jornada de Sofia e seu amigo, que, embora inicialmente
abandonados pela companhia, se lançam em busca de respostas e meios para salvar
o amor da protagonista, questionando as prioridades dessas corporações.
No entanto, o longa metragem peca por
não conseguir estabelecer uma conexão emocional com os protagonistas, o que
prejudicou minha imersão ao enredo do filme. Apesar de boas cenas de efeitos especiais,
o ritmo da história não é suficiente para gerar a tensão necessária, e as
dificuldades enfrentadas por Sofia e seu amigo não parecem realmente
desafiadoras, apresentando soluções um tanto óbvias. Isso impede que o filme
crie a urgência e a empatia necessárias para um impacto emocional mais
profundo. Mesmo assim, a obra cumpre sua função ao alertar sobre os impactos
negativos das atividades petrolíferas em larga escala, evidenciando como a exploração
de combustíveis fósseis pode representar uma ameaça crescente aos ecossistemas e à nossa realidade atual.
Autor:
Meu chamo Leonardo Veloso, sou formado em Administração, mas tenho paixão pelo cinema, a música e o audiovisual. Amante de filmes coming-of-age e distopias. Nas horas vagas sou tecladista. Me dedico à exploração de novas formas de expressão artística. Espero um dia transformar essa paixão em carreira, sempre buscando me aperfeiçoar em diferentes campos criativos.
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| Anatomia de uma Queda | Le Pacte |
Afinal, Sandra é culpada? Foi acidente? Nesse caso, pouco importa!
Tudo em Anatomia de uma queda cai. A bolinha, no início,
descendo escada abaixo indicando que a relação do casal que há muito caiu. A
relação pais e filhos segue caindo. As expectativas do início já estão no
abismo desde o dia 1. O julgamento, teatral e terrivelmente feroz para a mulher,
tudo em queda.
Anatomia de uma queda conta a história de um casal com
um filho e um cachorro. O filme parece ter invertido os papéis, assim como em Cenas
de um casamento de 2021. Sandra, não esbanja feminilidade, é prática,
objetiva, trabalha fora, escritora de sucesso. Samuel, quase invisível, faz o
papel do que a sociedade considera feminino. Do lar, cuida do filho, do
cachorro e da casa, usa pano de prato no ombro, não se acha na carreira de
escritor. À sombra de Sandra, amarga dentro de casa, segundo ele, sobrecarregado,
sozinho, como o lagosta sem par.
O ressentimento era tempero constante na relação deles. A cena inicial já deixa claro isso: ela tentando conceder uma entrevista na sala, enquanto o som dele, em volume máximo, repetido e irritante, descia do andar de cima atrapalhando o andamento daquela conversa – que também caiu, não vingou. A criança, o filho, Daniel, possui deficiência visual em decorrência de um acidente acontecido outrora e que, como muitas outras coisas, não fica claro de quem foi a culpa! Daniel decide assistir ao julgamento e ali, sim ali, no meio do “teatro” fica conhecendo a ponta do iceberg do que são seus pais. Afinal, que criança sabe verdadeiramente quem são seus pais?
Durante o julgamento, para elucidação do
ocorrido, o filme abusa de cenas de discussões anteriores ao fatídico dia.
Durante dias e sessões exaustivas, a sexualidade, o amor, a bondade, a devoção,
a lealdade, o caráter de Sandra são expostos à prova o tempo inteiro.
Em dado momento, a acusação expõe o áudio de uma discussão
entre o casal. Discussão calorosa que quem escuta com um “ouvido de Samuel”, encontra
um homem triste, traído, injustiçado. Quem escuta com um “ouvido de Sandra”, encontra
um homem covarde e uma mulher que fez da vida o que achava que devia ter feito.
Na discussão, ele, histérico, culpa Sandra pelo acidente do filho além de alegar
que nunca chegou aonde queria porque ela roubou a vida dele e a ideia do seu
livro. Ela, calma, claro!, diz que ele não fez o que quis porque não teve
coragem. Não só não bancou o próprio desejo, como ainda imputou culpa a
terceiro.
Antes do veredito, Daniel informa que vai depor. O julgamento
é adiado para o dia seguinte e, em casa, Daniel pede para ficar apenas com a
tutora designada pelo juízo. Em um determinado passeio frio, conversando, Daniel
pergunta à tutora como se toma uma decisão difícil. Ela não sabe, mas supõe que
às vezes é uma questão de escolha. Pronto! Ali estava desenhado o filme. Cortando para Daniel tocando no piano a mesma música que tocava junto com Sandra no
início do filme. Ele escolheu! Fez o que foi possível.
Fim de julgamento! Sandra inocentada, comemora com os advogados sua liberdade ao mesmo tempo em que chora por ter sido nessas circunstâncias. Vai para casa. Sobe ao quarto do filho. Ele dorme! Antes que ela se retire, ele a chama. Eles se abraçam. Um ato de cumplicidade? Um conforto de terem um ao outro? Jamais saberemos. Ato final, no escritório, Sandra, deitada, abraça o cachorro. Toca a mesma música que mãe e filho costumavam tocar juntos, em par.
Assassinato? Suicídio? Acidente? Nesse caso, de novo, pouco importa! Anatomia de uma queda, parafraseando a psicanalista Maria Homem, é sobre um homem que cai, mas também, ouso dizer, sobre escolher o que se aguenta sustentar.
Autora:
Lá em 2004 participei do meu primeiro filme. Ali apaixonei pelo cinema, mas como toda boa paixão, à la Jack e Rose, naufragou. A vida toma rumos e acabei seguindo outra área. Mas nada apaga uma boa paixão, né isso? Me chamo Carol Sousa e hoje falo e escrevo sobre cinema, quem sabe isso quer dizer amor...
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