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| Relâmpago de Criticas, Murmúrios de Metafísica | TB Produções |
“Ao transpor a porta para a rua, vi-lhes no rosto e na atitude uma expressão a que não acho nome certo ou claro; digo o que me pareceu. Queriam ser risonhos e mal se podiam consolar. Consolava-os a saudade de si mesmos.”
— Memorial de Aires, Machado de Assis
Júlio Bressane, diretor do longa,
utiliza durante toda a rodagem apenas sequências de filmes brasileiros já
lançados – sejam eles de sua autoria, ou não. Neste seu projeto, são utilizados
48 filmes, o primeiro de 1898 e o ultimo, de 2022.
A odisséia da invenção sem futuro nas
terras brasileiras não é tratada como uma jornada de resistência. O cunho
poético de Bressane jaze justamente no ponto em que durante todo período em que
possuímos o cinematógrafo, a arte de gravar foi impossível.
Limite, Carnaval da Lama e Signo do
Caos. Três filmes de épocas distintas, que são juntados na rodagem do filme de
Bressane, são obras que não estão em uma memória. Tudo que está em tela, não é
aquilo que estava na película, a memória do cinema brasileiro já nasceu morta.
Em um país onde sempre houveram dificuldades
em gravar, o cinema só passou a ser visto como resistência em um período onde o
cinematógrafo se tornou mais acessível que o pincel e a tela. Mas por quê?
Bem, a arte, como já pontuada por
Bressane, não é resistência, é uma anomalia. “Sem Essa, Aranha”; “O Anjo Nasceu”
e “Copacabana Meu Amor” são, portanto, filmes políticos. “O Agente Secreto” e “Ainda
Estou Aqui” não são filmes político, são tentativas de resistência (veja que
não faço juízo de valor às obras, só estou constatando).
A obra de Bressane é, portanto,
política? Diria que sim, mais poética que política, mas é de fato política em
sua essência. Mas não entre em pânico, haverão outras, felizmente. Elas serão
famosas? Definitivamente não.
Isso me relembra a conversa entre Don
Siegel e Godard:
— Você tem algo que quero: liberdade. —
disse Don.
— Você tem algo que também quero: dinheiro.
— retrucou Godard.
Filmar continuará sendo impossível para
aqueles que querem anomalia, mas me solidarizo. Júlio sem filmar fez o ultimo
filme político do Brasil, e podemos também.
Autor:
Meu nome é Rodolfo Luiz Vieira, tenho 17 anos e curso o terceiro ano do Ensino Médio. Produzo alguns curtas-metragens e escrevo textos sobre cinema. Meus filmes favoritos são: Em Ritmo de Fuga; La Haine; Eu Vos Saúdo, Maria e Pai e Filha.

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