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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

American Satan - Fama instantânea, consequências ignoradas e muito exagero

American Satan | Miramax


Jovens estadunidenses e ingleses abandonam a universidade e decidem formar uma banda de rock. Eles se mudam para Los Angeles, mais precisamente na famosa Sunset Strip, e tentam a sorte em busca de seus sonhos.

Pela sinopse, você até espera uma história bonitinha sobre amigos lutando por seus sonhos… até perceber que é basicamente uma receita de pacto com o diabo temperada com cabelo bagunçado e guitarras barulhentas. A banda, meio estadunidense, meio britânica, logo descobre que o sucesso tem um preço literal: Satanás em pessoa, aparece como um empresário de rock com poderes sobrenaturais e gosto questionável para sacrifícios humanos. Um minuto você está tentando conseguir um show, no outro já está considerando rituais diabólicos e milagres bizarros. Difícil levar a sério.

O filme também parece acreditar que Satanás secretamente escreveu todas as grandes músicas de todos os tempos e que isso justifica qualquer comportamento absurdo da banda. Entre estereótipos de caipiras que brigam só por causa da aparência e uma moral completamente confusa, fica a sensação de que o roteiro não sabe se quer criticar a indústria musical, se quer fazer sátira ou apenas mostrar jovens desesperados com cabelo bagunçado. No final, o longa deixa mais perguntas do que respostas: ser talentoso ajuda alguma coisa na música? Vender a alma é realmente o caminho mais rápido para o sucesso? ou tudo é só uma desculpa para exageros de rock e sofrimento juvenil? uma coisa é certa: o filme não tem vergonha de mergulhar no absurdo — mas é dificil mergulhar junto sem rir ou suspirar várias vezes.

Em vez de aproveitar para desenvolver uma discussão mais profunda, o filme prefere mostrar que, à medida que a banda conquista fama, alguns fãs começam a imitar os atos mais polêmicos do grupo. Quando o protagonista Johnny acaba matando alguém em legítima defesa, adolescentes que sofrem bullying resolver seguir o exemplo… só que de maneira ainda mais exagerada e violenta. Há até alguns trechos que tentam abordar a violência juvenil e mostram a banda em uma aparição rápida na TV discutindo o assunto. Mas, na prática, o filme parece mais interessado em exibir os músicos se divertindo em boates de strip-tease com decoração satânica do que em realmente explorar o impacto de suas ações.

O filme se destaca por algumas decisões visuais interessantes, especialmente na forma como utiliza a cor para transmitir emoção. A paleta é marcada por tons intensos de vermelho, que aparecem com frequência e conferem à obra uma energia quase pulsante, refletindo tanto a paixão da banda quanto os momentos de tensão que permeiam a história. A câmera também entra no espírito da banda: rápida, inquieta e sempre correndo atrás da ação, como um amigo tentando acompanhar o ritmo de uma festa que já saiu do controle. Nos shows, ele praticamente dança junto com os músicos, captando cada salto, cada nota desafinada e cada fã que perdeu o equilíbrio de tanto pular. O resultado é que o espectador se sente parte do caos — quase como se estivesse tentando segurar um microfone enquanto a banda toca no meio da sala.

American Satan é como um prato que promete alta gastronomia, mas entrega uma mistura de ingredientes exóticos que ninguém pediu: uma pitada de pacto com o diabo, uma colher generosa de boates satânicas, uma fatia de violência exagerada e, para temperar, guitarras barulhentas e cabelo bagunçado. O resultado é estranho, meio indigesto, mas de algum jeito curioso o suficiente para você continuar provando até o final — rindo, suspirando e se perguntando se acabou de assistir a um drama, uma sátira ou uma receita de caos rock’n’roll mal temperada.

Autor:


Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.

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