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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Segredos Obscuros - Mais uma obra que centraliza a aparência e a idade como parâmetros sociais rígidos

Segredos Obscuros | Paris Filmes

Determinadas pautas atuais chegaram com força até o audiovisual. A busca pela longevidade da juventude pode ser descrita de diversas formas, desde as mais cômicas às mais sombrias. No Brasil, vimos uma trama parecida com a descrita na novela Beleza Fatal (2025), grande sucesso da HBO Max. Já em Hollywood, a principal expoente recentemente possui o título de A Substância (Coralie Fargeat, 2024). É nesta última que o lançamento do diretor Max Minghella é, pelo que parece, inspirado. Segredo Obscuro (2024) torna-se mais uma obra que centraliza a aparência e a idade como parâmetros sociais rígidos.

Samantha (Elizabeth Moss) é uma atriz em decadência. Enquanto o tempo passa, sua carreira se mostra mais datada; culpa da falta de renovação e do padrão estético não convencional da personagem. Um belo dia, Sam conhece a Shell, uma empresa que promete vitalidade eterna por meio de um tratamento. Embora relutante, as inseguranças da protagonista a fazem se submeter aos procedimentos da “clínica”, na qual a CEO, Zoe Shannon, é a glamorosa porta-voz. Ambas formam uma amizade, mas segredos perigosos estão por trás da relação e de toda perfeição exibida por Zoe e seu negócio.

Logo no primeiro momento, nos deparamos com uma insatisfação já utilizada em outros longas-metragens: trajetórias no mundo artístico que se declinam por conta da superficialidade geral. O assunto é revelado através de Sam que, como muitas, não se encontra no molde estadunidense de hoje. Entretanto, é inexistente a diferença de como é mostrado tal preocupação, em uma demonstração expositiva, sem rodeios e sem chances de muita conexão com a personagem principal. O filme em si é visto como mais um em que a protagonista procura seu espaço, cede aos encantos de uma solução duvidosa, e encara consequências por conta disto.

A Substância é visivelmente uma comparação inevitável a Segredo Obscuro, que escolhe até o mesmo caminho do suspense e do body horror para ser conduzido. Porém, neste os recursos estilísticos e narrativos chamam atenção pela maior pobreza e perda de identidade. Tudo aqui já foi visto antes, além de nada ser um grande mistério. O filme traça um caminho já esperado desde o começo, não alcançando sua intenção de ser chocante ou tenso. O próprio terror, que demora a ser percebido, possui manejos que não dão certo em seu conjunto.

O ritmo volúvel, a trilha sonora notadamente deslocada (mais parecida com a de um filme de ação, não suspense) e até as boas intenções do diretor de criar um universo com itens retrô e futuristas concomitantemente, são falhas que descaracterizam o longa-metragem; sem identidade, até as mais aterrorizantes descobertas de Sam são deficientes de emoção e estilo próprio, ainda que tente.

Entretanto, o filme é carregado por duas boas interpretações. Elizabeth Moss retrata bem uma artista desesperada e ingênua, ainda com a esperança de reaver seus tempos dourados. Sua intimidade posterior com a excêntrica e, ao mesmo tempo, amigável, Zoe, feita de forma não caricatural por Kate Hudson, é a maior qualidade da obra, tendo isto como ponto central para que o espectador não desista da trama.

Segredo Obscuro não é trash, não é terror, não é gore e nem é um suspense que consiga prender a atenção do público. Ainda que suas empreitadas para ser tudo isso existam, a produção pouco se solidifica como um destes gêneros. Ademais, o enredo batido, ao passo que é relevante e merece ser discutido a finco, deixa rastros que não criarão memórias nem resquícios. A dupla de atrizes que comanda o filme é boa, mas não suficiente para atingir a proposta requerida: assustar e fazer pensar. Talvez em uma próxima chance o cinema novamente seja palco para histórias que permeiam a estética, o envelhecimento e o julgamento da sociedade.

Autora:


Lais Lima 

25 anos, formada em cinema, roteirista, crítica, videomaker e moradora do Rio de Janeiro, minha paixão pelo cinema transcende as telas. 
De “Guarda-Chuvas do Amor” até “Laranja Mecânica”, meu amor pela arte não se prende a nenhum gênero, mas sim ao que me toca. 
Também sou apaixonada pelos pormenores da vida, que se apresentam sem nenhum roteiro. 
Logo, imaginação não falta em mim. 
Sou de tudo um pouco, e procuro sempre expor minha versão mais democrática, que enfrenta a realidade com a maior criatividade possível.

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