quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Coyote vs. Acme — Depois de décadas apanhando, o Coyote finalmente cobra a conta

Coyote vs Acme | WarnerBros. Pictures


Após os produtos da Acme falharem muitas vezes em sua perseguição incansável ao Papa-Léguas, Wile E. Coyote decide contratar um advogado de porta de cadeia para processar a Acme Corporation. 

Esse é o quarto filme dos Looney Tunes a combinar live action com animação, após Space Jam: O Jogo do Século (1996), Looney Tunes: De Volta à Ação (2003) e Space Jam: Um Novo Legado (2021). Diferentemente das produções anteriores, que tinham o Pernalonga como protagonista, o filme coloca o Coyote no centro da história. Embora tenha conquistado notoriedade em seus curtas clássicos, o personagem sempre ocupou uma posição menos central na marca global dos Looney Tunes em comparação ao Pernalonga, principal mascote do estúdio. Sua participação esteve, na maior parte das vezes, limitada à perseguição ao Papa-Léguas e, fora dessa dinâmica, raramente assumia um papel de destaque no universo dos personagens.

Enquanto o Pernalonga se envolve com diferentes personagens e enfrenta situações com criatividade, inteligência e sarcasmo, o Coyote costuma ser mais reservado, concentrando-se em seus próprios fracassos e nas engenhocas da Acme. Essa característica fez com que ele permanecesse, por muito tempo, em uma posição mais secundária dentro da franquia.

Essa mudança representa uma escolha interessante, pois permite aprofundar uma das relações mais características do personagem: sua dependência das invenções da Acme. Ao transformar seus fracassos recorrentes em motivo para enfrentar a empresa judicialmente, o filme ressignifica uma dinâmica tradicional dos curtas e encontra nela o conflito necessário para desenvolver sua história.

Neste filme, porém, essa dinâmica ganha um novo significado. Após anos utilizando os produtos da Acme em suas tentativas frustradas de capturar o Papa-Léguas, o Coyote decide processar a empresa, alegando que suas invenções foram responsáveis por tantos de seus fracassos. A ideia transforma uma característica que antes servia apenas como fonte de humor em um conflito que conduz a narrativa. Seus fracassos deixam de ser somente uma sequência de situações cômicas e passam a funcionar como o ponto de partida para uma história própria.

O longa preserva o humor e a estética dos Looney Tunes, trazendo de volta seus personagens clássicos e suas tradicionais cenas de ação exageradas. A animação mantém a violência cartunesca característica, com o Coyote sendo explodido, atropelado e arremessado, enquanto outros personagens enfrentam situações igualmente absurdas. Dessa forma, o filme não abandona os elementos que tornaram o personagem conhecido, mas procura incorporá-los a uma narrativa diferente.

A produção combina atores reais com personagens animados, inserindo ambos em um mesmo universo. Os personagens de animação contracenam com pessoas, objetos e ambientes reais, criando cenas de humor físico marcadas pelo exagero e pela linguagem visual característica dos desenhos. Os personagens apresentam uma aparência tridimensional, mas recebem uma camada adicional de sombreamento e pintura digital que busca reproduzir o visual característico dos clássicos curtas de animação. Esse tratamento ajuda a integrar os personagens ao universo do longa, preservando suas formas, cores e expressões tradicionais, enquanto adapta sua estética para uma produção contemporânea.

No fim, a principal força de Coyote vs Acme está na maneira como o filme consegue expandir uma dinâmica simples dos desenhos clássicos sem abandonar sua essência. Além disso, a combinação entre live action e animação, aliada à violência cartunesca, ao humor físico e ao cuidado visual com os personagens, preserva a identidade dos Looney Tunes sem impedir que a produção apresente uma proposta diferente. Dessa forma, a obra mostra que personagens tradicionalmente secundários também podem sustentar histórias próprias, desde que suas características mais conhecidas sejam reinterpretadas de maneira criativa.

Autor:



Meu nome é João Pedro, sou estudante de Cinema e Audiovisual, ator e crítico cinematográfico. Apaixonado pela sétima arte e pela cultura nerd, dedico meu tempo a explorar e analisar as nuances do cinema e do entretenimento.


Corrida dos Bichos - Façam suas apostas!

Corrida dos Bichos | Amazon Prime


A produção do Prime Video, se passa em um futuro distópico no Rio de Janeiro, onde o mar secou após uma catástrofe climática e o tradicional jogo do bicho foi transformado em uma corrida mortal voltada para a elite. Nesse cenário, acompanhamos Mano, um jovem rebelde que é obrigado a participar da competição para salvar sua irmã, utilizada como garantia em uma aposta clandestina. A premissa já estabelece uma combinação interessante entre ação, ficção científica e elementos da cultura brasileira, utilizando um Rio de Janeiro completamente transformado como palco para uma disputa na qual cada participante precisa lutar pela própria sobrevivência. 

O roteiro segue uma estrutura relativamente simples e não busca apresentar uma trama excessivamente complexa. Porém, isso acaba funcionando a favor do filme, já que Corrida dos Bichos sabe exatamente o que deseja entregar e conduz sua história de maneira bastante direta. A narrativa apresenta seus conflitos, estabelece seus objetivos e segue em direção às corridas sem criar desvios desnecessários. É uma história simples, mas que cumpre aquilo que promete e consegue manter o interesse do espectador justamente por não tentar transformar sua premissa em algo maior do que ela precisa ser. 

Um dos grandes acertos do longa está em seu elenco, que consegue tornar os personagens bastante cativantes. Mesmo dentro de uma narrativa marcada por competição, perigo e conflitos, existe uma preocupação em fazer com que o público se envolva com aqueles que acompanhamos. As interpretações ajudam a estabelecer personalidades distintas e fazem com que as relações entre os personagens funcionem como um dos elementos responsáveis por sustentar a trama. É justamente esse envolvimento que faz com que os momentos de maior perigo tenham mais peso, já que existe uma conexão construída com os participantes da corrida. 

As corridas são outro grande destaque da produção. As sequências são muito bem feitas e conseguem transmitir a velocidade, o perigo e a dimensão da competição, utilizando a ação de maneira bastante eficiente. Existe uma preocupação em fazer com que esses momentos tenham impacto visual e não pareçam apenas uma repetição da mesma situação, mantendo a sensação de disputa e imprevisibilidade. O resultado são sequências empolgantes que funcionam muito bem como espetáculo e conseguem prender a atenção do espectador, principalmente quando os personagens são colocados diante de situações cada vez mais arriscadas. 

Construir um Rio de Janeiro distópico após uma catástrofe climática poderia facilmente resultar em um cenário genérico, mas o filme consegue aproveitar características reconhecíveis da cidade para criar sua própria identidade. O desaparecimento do mar e as transformações provocadas pelo desastre climático ajudam a estabelecer um futuro diferente daquele que conhecemos, enquanto a estética da elite que acompanha as corridas contrasta com a realidade daqueles que participam delas. 

Corrida dos Bichos é um filme que entende bem sua proposta e não tenta ser mais complexo do que precisa. No fim, o longa consegue unir ação, entretenimento e uma ambientação criativa em uma produção que aproveita uma premissa bastante brasileira para construir uma aventura de ficção científica divertida e direta.

Autora:
Me chamo Mariana Alves, tenho 22 anos, atualmente estudante de Publicidade e Propaganda porém formada em Design Gráfico e Técnico em Alimentos, já atuo no mercado como Marketing. Sou apaixonada por filmes e videogames, adoro ir ao cinema e falar sobre The Last of Us.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A Última Casa - Confinados e sobreviventes

A Última Casa | Netflix


A Última Casa, produção da Netflix, parte de uma premissa que rapidamente estabelece uma situação de desespero para uma família que precisa encontrar segurança dentro de uma casa enquanto uma ameaça desconhecida permanece do lado de fora. O início é um dos momentos mais eficientes do longa justamente por transmitir a sensação de urgência e vulnerabilidade dos personagens, fazendo com que o espectador queira descobrir o que está acontecendo e quais são os perigos que os cercam. Porém, depois desse primeiro impacto, a narrativa diminui consideravelmente seu ritmo e passa a investir mais na espera do que propriamente na construção de acontecimentos capazes de manter a tensão.

Apesar disso, existe uma ideia interessante na maneira como o filme acompanha a família se adaptando à nova realidade dentro da casa. Aos poucos, aquele espaço deixa de ser apenas um refúgio e passa a fazer parte da própria dinâmica dos personagens, criando uma espécie de rotina em meio ao isolamento. Essa escolha permite explorar como diferentes pessoas reagem quando precisam permanecer confinadas em um mesmo ambiente, enquanto o suspense sobre aquilo que realmente representa uma ameaça continua presente. A dúvida sobre o que existe do lado de fora consegue gerar alguns bons momentos de tensão, principalmente quando o filme opta por esconder mais informações do que revelar. 

O problema é que essa construção acaba se prolongando mais do que deveria. Depois do desespero apresentado inicialmente, o longa encontra dificuldades para manter o mesmo nível de urgência e, em determinados momentos, torna-se lento e até um pouco maçante. A sensação de espera funciona durante parte da narrativa, mas perde força quando o espectador percebe que poucas coisas estão avançando. O suspense depende diretamente da expectativa por uma resposta, e o longa nem sempre consegue transformar essa espera em tensão, fazendo com que alguns momentos pareçam apenas uma extensão do tempo necessário para chegar ao próximo acontecimento.

Wagner Moura e Greta Lee são fundamentais para sustentar essa parte mais contemplativa da história, ambos conseguem transmitir a preocupação e o desgaste emocional de seus personagens, principalmente através de expressões e pequenas mudanças de comportamento, evitando que o drama familiar dependa apenas dos diálogos. Existe uma vulnerabilidade perceptível nas interpretações que ajuda a tornar a situação mais humana e faz com que o espectador compreenda o peso psicológico daquele confinamento.

A Última Casa (2026) possui uma premissa interessante e encontra seus melhores momentos justamente quando explora o medo do desconhecido e a adaptação de uma família a uma situação completamente fora de seu controle. Porém, o ritmo irregular prejudica a experiência, especialmente após um início bastante desesperador, e o encerramento poderia ter sido muito mais impactante. No fim, é um filme que apresenta boas ideias e consegue construir alguns momentos de tensão, mas deixa a sensação de que seu potencial acabou sendo maior do que aquilo que chegou efetivamente às telas. 


Autora:
Me chamo Mariana Alves, tenho 22 anos, atualmente estudante de Publicidade e Propaganda porém formada em Design Gráfico e Técnico em Alimentos, já atuo no mercado como Marketing. Sou apaixonada por filmes e videogames, adoro ir ao cinema e falar sobre The Last of Us.

Saccharine (Insaciável) - Estamos presos dentro dos padrões da sociedade

Insaciável | Diamond Films


Saccharine, também intitulado Insaciável (2026), utiliza o terror corporal para abordar questões extremamente atuais relacionadas à aceitação, à pressão estética e à relação cada vez mais problemática da sociedade com o próprio corpo. A narrativa acompanha Hana, uma protagonista consumida pela insatisfação com sua aparência e pelas consequências de suas escolhas, enquanto o desejo de transformação física passa a assumir proporções cada vez mais perturbadoras. O longa consegue utilizar o horror não apenas como ferramenta de choque, mas como uma maneira de representar sentimentos como compulsão, insegurança e desespero, tornando seus temas ainda mais desconfortáveis para o espectador.

Um dos grandes méritos do filme está justamente na maneira como aborda assuntos necessários, como o uso de medicamentos para emagrecimento, a compulsividade alimentar e a dificuldade de aceitar o próprio corpo. O filme não trata essas questões de maneira superficial, utilizando o exagero característico do terror para levar determinadas situações até consequências extremas. Existe uma crítica evidente à pressão para alcançar um padrão estético e à ideia de que qualquer método pode ser válido quando o objetivo é modificar o próprio corpo. 

O horror surge, portanto, de algo que não parece tão distante da realidade, tornando algumas situações ainda mais incômodas. Constrói um terror perturbador e sufocante, utilizando o desconforto físico como uma extensão do psicológico. A sensação de repulsa não está presente apenas nas imagens mais grotescas, mas também na maneira como o filme acompanha a deterioração da protagonista. O espectador é colocado diante de situações que provocam incômodo justamente porque existe uma proximidade entre aquilo que estamos vendo e problemas que fazem parte da realidade. É um horror que não depende exclusivamente de sustos, mas da capacidade de fazer o público permanecer desconfortável mesmo quando nada explicitamente assustador está acontecendo.

Hana também funciona muito bem como centro dessa construção, suas decisões desesperadas são fundamentais para que o horror avance, porque conseguimos compreender de onde vem cada escolha mesmo quando sabemos que ela está caminhando para consequências cada vez piores. O filme consegue criar uma relação interessante entre empatia e apreensão: queremos que Hana encontre uma saída, mas ao mesmo tempo ficamos constantemente apreensivos com aquilo que ela será capaz de fazer para alcançar seus objetivos. Quanto mais desesperada ela fica, mais perturbadora se torna a própria narrativa, fazendo com que suas escolhas sejam responsáveis por grande parte da tensão.

Para quem gostou de A Substância, Saccharine (Insaciável) provavelmente será uma experiência bastante interessante. Os dois filmes compartilham uma preocupação em utilizar o horror corporal para discutir a relação com a aparência, a pressão estética e os limites que alguém pode ultrapassar na busca por uma versão considerada “melhor” de si mesmo.

A produção é um terror que incomoda justamente porque seus temas possuem uma conexão muito próxima com a realidade, o filme transforma inseguranças cotidianas em uma experiência perturbadora. É um filme que utiliza o grotesco para provocar reflexão e, para quem já se entregou ao horror de A Substância, certamente merece uma chance.

Autora:
Me chamo Mariana Alves, tenho 22 anos, atualmente estudante de Publicidade e Propaganda porém formada em Design Gráfico e Técnico em Alimentos, já atuo no mercado como Marketing. Sou apaixonada por filmes e videogames, adoro ir ao cinema e falar sobre The Last of Us.

O Fim da Rua - Os dinossauros estão à solta!

 O Fim da Rua | WarnerBros. Pictures 


Em O Fim da Rua acompanhamos uma família que possui uma reviravolta em sua vida após um evento cósmico arrancar seu bairro do subúrbio e o transportar para a era dos dinossauros. A produção da Warner Bros., resgata com bastante eficiência a essência das aventuras de ficção científica e terror dos anos 80, a trilha sonora caricata e a fotografia são alguns dos principais responsáveis por essa atmosfera, trabalhando juntas para compor as cenas e estabelecer uma identidade visual própria. Existe uma preocupação evidente em fazer o espectador sentir que está diante de uma aventura de outra época, mas com recursos contemporâneos, o que contribui para tornar o filme leve, divertido e extremamente acessível.

Entre os maiores méritos do longa está justamente sua relação com o cinema de dinossauros que consegue recuperar aquela sensação de descoberta, perigo e diversão que marcou Jurassic Park, tornando-se uma das experiências mais divertidas do gênero nos últimos anos. O filme entende que os dinossauros não precisam estar presentes apenas como ameaças, mas também como parte fundamental do espetáculo, utilizando as criaturas para criar momentos de tensão, surpresa e entretenimento. Essa combinação faz com que o longa seja capaz de despertar aquela sensação de aventura que muitas produções modernas acabam deixando de lado.

A direção demonstra bastante controle sobre os acontecimentos, construindo sequências bem planejadas e executadas sem transformar a ação em uma sucessão confusa de cortes. A movimentação da câmera, os enquadramentos e a utilização dos dinossauros dentro dos cenários ajudam a criar uma sensação de escala e perigo, fazendo com que o espectador se sinta inserido naquele ambiente. Essa escolha é especialmente importante para uma produção que depende tanto do espetáculo visual, já que a ação não funciona apenas como uma pausa entre os momentos narrativos, mas como parte essencial da experiência.

Anne Hathaway e Ewan McGregor também entregam atuações que elevam consideravelmente a imersão da produção, ambos conseguem transmitir com naturalidade as diferentes emoções exigidas pela narrativa, alternando entre momentos de humor, tensão, medo e vulnerabilidade sem deixar que seus personagens pareçam deslocados dentro de uma aventura tão grandiosa. Existe uma química entre os dois que ajuda a sustentar os momentos mais pessoais da história e faz com que o público se importe com aquilo que está acontecendo além dos próprios dinossauros.

Porém, o longa encontra seu principal problema justamente quando começa a se encaminhar para a conclusão. Do meio para o final, algumas das questões apresentadas ao longo da história parecem ser solucionadas rápido demais, fazendo com que o encerramento transmita uma sensação de corte seco. Quando os créditos começam a aparecer, fica aquela sensação inevitável de: “Já acabou? É isso?”. O problema não está necessariamente na resolução em si, mas na velocidade com que ela acontece, dando a impressão de que faltou um pouco mais de desenvolvimento para que o desfecho tivesse o mesmo impacto construído durante o restante da produção.

O Fim da Rua (2026) é, acima de tudo, um filme extremamente divertido e uma das melhores experiências com dinossauros desde Jurassic Park. Embora seu terceiro ato acelere demais e deixe uma sensação de encerramento abrupto, o conjunto ainda funciona muito bem como entretenimento. É um daqueles filmes que conseguem fazer o público simplesmente sentar, assistir e se divertir, recuperando uma sensação de aventura que o cinema contemporâneo nem sempre consegue reproduzir.

Autora:
Me chamo Mariana Alves, tenho 22 anos, atualmente estudante de Publicidade e Propaganda porém formada em Design Gráfico e Técnico em Alimentos, já atuo no mercado como Marketing. Sou apaixonada por filmes e videogames, adoro ir ao cinema e falar sobre The Last of Us.

Mestres do Universo (1987) - Não se preocupem! He-man irá salvá-los!

Mestres do Universo | Cannon Films


Mestres do Universo (1987) é uma adaptação do desenho animado dos anos 80 e carrega consigo diversos elementos, elementos esses que o tornaram um clássico, desde o visual dos personagens até a presença de Eternia. Existe um certo charme em acompanhar esses elementos ganhando uma versão em live-action, principalmente pelo cuidado em reproduzir características tão reconhecíveis para quem cresceu com a animação. Porém, é justamente nesse aspecto que surge uma das maiores frustrações do longa: a ausência de He-Man como Adam. O filme praticamente não explora a identidade do herói antes de sua transformação e não apresenta sequer uma cena em que o personagem seja visto como Adam, deixando de lado uma característica importante de sua personalidade e de sua relação com o próprio poder.

A narrativa também transmite a curiosa sensação de que estamos entrando em uma história que já começou antes mesmo dos créditos iniciais. O filme praticamente começa no meio da ação, apresentando os personagens e o conflito já estabelecidos com a chegada de Skeletor, sem dedicar muito tempo para explicar aquele universo ao espectador. Embora isso contribua para um ritmo inicialmente acelerado, também faz com que a trama pareça uma continuação direta de alguma aventura anterior que nunca chegamos a assistir. Para quem já conhece Mestres do Universo, é possível acompanhar melhor os acontecimentos, mas quem chega sem familiaridade com a franquia pode sentir que está constantemente tentando entender as regras daquele mundo.

Outro ponto que me incomoda é a decisão de transportar boa parte da história para a Terra. Mestres do Universo possui um universo extremamente rico, com planetas, criaturas, tecnologias, magia e diferentes regiões que poderiam ser exploradas visualmente. Por isso, limitar grande parte da aventura ao nosso próprio planeta acaba diminuindo justamente aquilo que torna a franquia tão interessante. A sensação é de que existe um potencial gigantesco sendo desperdiçado em favor de uma ambientação mais familiar, quando o longa poderia aproveitar sua proposta para construir uma verdadeira aventura de fantasia e ficção científica em Eternia.

Apesar dessas limitações, o elenco é um dos elementos mais cativantes da produção. Os atores conseguem transmitir personalidade aos personagens mesmo quando o roteiro não oferece tanto espaço para desenvolvê-los, e existe uma energia divertida nas interações que ajuda a sustentar o filme. Dolph Lundgren possui o físico e a presença necessários para interpretar He-Man, enquanto Frank Langella entrega um Skeletor carismático e ameaçador. Mesmo os personagens secundários conseguem contribuir para o charme da aventura, fazendo com que seja fácil se apegar ao grupo apesar das limitações narrativas.

Mestres do Universo (1987) está longe de aproveitar completamente o potencial de sua própria mitologia, mas ainda consegue preservar parte do encanto que tornou o desenho dos anos 80 tão marcante. No fim, é um filme que funciona melhor como uma curiosidade nostálgica de uma época em que Hollywood ainda estava tentando descobrir como levar grandes franquias de fantasia para o cinema, mas que deixa a sensação de que poderia ter sido muito maior se tivesse acreditado mais no próprio universo.

Autora:
Me chamo Mariana Alves, tenho 22 anos, atualmente estudante de Publicidade e Propaganda porém formada em Design Gráfico e Técnico em Alimentos, já atuo no mercado como Marketing. Sou apaixonada por filmes e videogames, adoro ir ao cinema e falar sobre The Last of Us.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Honestino (2026) - Juntos na luta pela educação e democracia

Honestino | Pandora Filmes

Honestino (2026), dirigido por Aurélio Michiles, resgata a trajetória de Honestino Guimarães, ex-presidente da UNE e um dos principais líderes do movimento estudantil brasileiro durante a ditadura militar, estudante da UnB e importante voz da geração de 1968, preso cinco vezes e sequestrado em 1973 aos 26 anos. Ao apresentar sua trajetória política e pessoal, o filme busca humanizar uma figura frequentemente lembrada apenas pelos acontecimentos que marcaram seu desaparecimento, evidenciando seus ideais, conflitos e relações ao longo desse período turbulento da história do Brasil.

A direção de Aurélio Michiles demonstra sensibilidade ao equilibrar momentos de forte carga dramática com uma narrativa de ritmo constante, evitando transformar a obra em uma sucessão de acontecimentos históricos. O diretor aposta em uma linguagem intimista, permitindo que os personagens conduzam a narrativa por meio de seus depoimentos enquanto os cortes gravados por atores ilustram os momentos citados. A montagem, principalmente, favorece o desenvolvimento da narrativa ao organizar os acontecimentos de forma clara, permitindo que o espectador acompanhe a evolução política de Honestino sem comprometer o entendimento da cronologia, já a trilha sonora é utilizada de maneira mais  pontual, reforçando a tensão dos momentos mais dramáticos sem competir com as emoções transmitidas pelos personagens.

Bruno Gagliasso assume a responsabilidade de interpretar Honestino Guimarães de maneira contida e respeitosa, sua atuação transmite convicção nos momentos de maior tensão política, ao mesmo tempo em que evidencia a humanidade de Honestino por meio de pequenos gestos e expressões, tornando mais palpáveis seus medos, convicções e sacrifícios. A escolha de intercalar essas cenas dramatizadas com registros de arquivo, cartas, poemas e depoimentos de figuras que conviveram ou estudaram o período reforça a autenticidade da narrativa. Em vez de competir com o material documental, a interpretação de Gagliasso funciona como um elo entre a ficção e a memória histórica, contribuindo para aproximar o espectador de uma figura conhecida nos livros de História.

Entretanto, o ritmo mais contemplativo pode causar a sensação de lentidão para parte do público e possivelmente anticlimático, especialmente nos trechos em que o longa dedica mais tempo às discussões políticas do que aos conflitos do protagonista. Ainda assim, essas escolhas não comprometem a proposta da obra, que permanece coerente com sua intenção de preservar a memória de Honestino Guimarães e do período retratado. 

Honestino (2026) se destaca pela qualidade de sua reconstrução histórica e pelo cuidado técnico empregado em todos os aspectos da produção. Mesmo apresentando um ritmo mais contido, o longa cumpre seu papel ao provocar reflexão sobre um período marcante da história brasileira e reafirmar a importância da preservação da memória e da democracia. 

Autora:
Me chamo Mariana Alves, tenho 22 anos, atualmente estudante de Publicidade e Propaganda porém formada em Design Gráfico e Técnico em Alimentos, já atuo no mercado como Marketing. Sou apaixonada por filmes e videogames, adoro ir ao cinema e falar sobre The Last of Us.


Ponto Sem Retorno - Em qual ponto vamos chegar?

Ponto sem Retorno | Walt Disney Studios Ponto Sem Retorno acompanha Hig, um piloto que sobreviveu a uma pandemia global de gripe que dizimo...