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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Mestres do Universo (1987) - Não se preocupem! He-man irá salvá-los!

Mestres do Universo | Cannon Films


Mestres do Universo (1987) é uma adaptação do desenho animado dos anos 80 e carrega consigo diversos elementos, elementos esses que o tornaram um clássico, desde o visual dos personagens até a presença de Eternia. Existe um certo charme em acompanhar esses elementos ganhando uma versão em live-action, principalmente pelo cuidado em reproduzir características tão reconhecíveis para quem cresceu com a animação. Porém, é justamente nesse aspecto que surge uma das maiores frustrações do longa: a ausência de He-Man como Adam. O filme praticamente não explora a identidade do herói antes de sua transformação e não apresenta sequer uma cena em que o personagem seja visto como Adam, deixando de lado uma característica importante de sua personalidade e de sua relação com o próprio poder.

A narrativa também transmite a curiosa sensação de que estamos entrando em uma história que já começou antes mesmo dos créditos iniciais. O filme praticamente começa no meio da ação, apresentando os personagens e o conflito já estabelecidos com a chegada de Skeletor, sem dedicar muito tempo para explicar aquele universo ao espectador. Embora isso contribua para um ritmo inicialmente acelerado, também faz com que a trama pareça uma continuação direta de alguma aventura anterior que nunca chegamos a assistir. Para quem já conhece Mestres do Universo, é possível acompanhar melhor os acontecimentos, mas quem chega sem familiaridade com a franquia pode sentir que está constantemente tentando entender as regras daquele mundo.

Outro ponto que me incomoda é a decisão de transportar boa parte da história para a Terra. Mestres do Universo possui um universo extremamente rico, com planetas, criaturas, tecnologias, magia e diferentes regiões que poderiam ser exploradas visualmente. Por isso, limitar grande parte da aventura ao nosso próprio planeta acaba diminuindo justamente aquilo que torna a franquia tão interessante. A sensação é de que existe um potencial gigantesco sendo desperdiçado em favor de uma ambientação mais familiar, quando o longa poderia aproveitar sua proposta para construir uma verdadeira aventura de fantasia e ficção científica em Eternia.

Apesar dessas limitações, o elenco é um dos elementos mais cativantes da produção. Os atores conseguem transmitir personalidade aos personagens mesmo quando o roteiro não oferece tanto espaço para desenvolvê-los, e existe uma energia divertida nas interações que ajuda a sustentar o filme. Dolph Lundgren possui o físico e a presença necessários para interpretar He-Man, enquanto Frank Langella entrega um Skeletor carismático e ameaçador. Mesmo os personagens secundários conseguem contribuir para o charme da aventura, fazendo com que seja fácil se apegar ao grupo apesar das limitações narrativas.

Mestres do Universo (1987) está longe de aproveitar completamente o potencial de sua própria mitologia, mas ainda consegue preservar parte do encanto que tornou o desenho dos anos 80 tão marcante. No fim, é um filme que funciona melhor como uma curiosidade nostálgica de uma época em que Hollywood ainda estava tentando descobrir como levar grandes franquias de fantasia para o cinema, mas que deixa a sensação de que poderia ter sido muito maior se tivesse acreditado mais no próprio universo.

Autora:
Me chamo Mariana Alves, tenho 22 anos, atualmente estudante de Publicidade e Propaganda porém formada em Design Gráfico e Técnico em Alimentos, já atuo no mercado como Marketing. Sou apaixonada por filmes e videogames, adoro ir ao cinema e falar sobre The Last of Us.

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