terça-feira, 11 de agosto de 2026

Na Boca do Diabo - Na torcida pelo tubarão

Na Boca do Diabo | Amazon Prime Video


Na Boca do Diabo (2026), produção do Prime Video, parte de uma premissa simples e bastante conhecida dentro do cinema de sobrevivência: um grupo de personagens precisa enfrentar a ameaça de um tubarão enquanto tenta encontrar uma maneira de escapar com vida. O problema é que, apesar de possuir uma proposta que poderia render uma experiência de tensão constante, o longa acaba encontrando dificuldades justamente na construção daqueles que deveriam sustentar a narrativa. Os personagens são excessivamente caricatos, com personalidades exageradas e decisões que muitas vezes parecem existir apenas para movimentar a história. As discussões entre eles também seguem esse caminho, apresentando conflitos pouco convincentes e diálogos que acabam retirando parte da seriedade dos momentos em que o público deveria estar apreensivo.

Essa caracterização exagerada faz com que o espectador tenha dificuldade para criar qualquer vínculo com os personagens, exceto Sara, interpretada por Kathryn Newton que consegue conquistar o público com seu carisma. Porém, em determinados momentos, as escolhas tomadas são tão questionáveis que o perigo deixa de estar relacionado apenas ao tubarão e passa a ser consequência direta das próprias atitudes do grupo. O resultado é curioso: em vez de torcer pela sobrevivência dos personagens, chega um ponto em que o espectador começa a torcer pelo próprio tubarão.

O maior déficit está na maneira como o filme trabalha sua tensão, a produção depende diretamente da sensação de perigo e da expectativa sobre quando e como o ataque irá acontecer, mas Na Boca do Diabo nem sempre consegue sustentar esse sentimento. Depois de estabelecer sua premissa, o longa começa a se tornar maçante, repetindo situações e conflitos que não conseguem aumentar significativamente a sensação de ameaça. A espera pelos próximos acontecimentos deixa de ser angustiante e passa a ser previsível, fazendo com que alguns momentos que deveriam provocar tensão acabem tendo pouco impacto. Ainda assim, a presença do tubarão consegue proporcionar alguns momentos interessantes dentro da proposta do filme, a criatura funciona melhor quando a direção permite que sua presença seja construída através da expectativa, utilizando o ambiente e a limitação de espaço para transmitir a sensação de vulnerabilidade dos personagens. O problema é que esses momentos não são suficientes para compensar um roteiro que frequentemente depende de decisões pouco inteligentes e conflitos artificiais para prolongar a narrativa.

Na Boca do Diabo possui uma premissa capaz de entregar um bom filme de sobrevivência, mas acaba prejudicado pela caracterização caricata de seus personagens, por conflitos pouco convincentes e principalmente por uma dificuldade em manter a tensão durante toda a produção. Apesar de apresentar alguns momentos divertidos e sequências capazes de funcionar dentro da proposta, o longa se torna cansativo ao repetir sua fórmula e não consegue transformar seu potencial em uma experiência realmente angustiante.

Autora:
Me chamo Mariana Alves, tenho 22 anos, atualmente estudante de Publicidade e Propaganda porém formada em Design Gráfico e Técnico em Alimentos, já atuo no mercado como Marketing. Sou apaixonada por filmes e videogames, adoro ir ao cinema e falar sobre The Last of Us.


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